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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Um Palacete de Humor


Sábado.

06 de fevereiro de 2010.
Palacete das Artes / Museu Rodin.
Sabíamos que seria nesse dia e nesse local a nossa próxima instalação / intervenção / performance / experimento cênico. Tema: tempo - memória. Seis atores em busca de respostas às provocações do jovem diretor mergulhado nesse Mar Me Quer.
Ao longo desta semana, fui conduzindo os trabalhos de modo a atender as necessidades de cada um, para deixá-los tranquilos e donos de si. Trouxe jogos, dinâmicas, brincadeiras e atividades que despertassem uma dilatação corporal nos atores, deixando-os mais receptivos a estímulos e provocações diversas: do espaço, dos sons, do colega, dos objetos, dos comandos.
Alongamentos e exercícios de dilatação física. Foi assim em quase todos os dias. Até que numa das imersões, o mergulho profundo quase nos roubou. O desequilíbrio, o incômodo, o tremor, o suor, a respiração, a torção, o sopro, a queda! Abre os olhos, volta a si, consciência.
O fato é que diferente das outras semanas, ao longo deste dias eu investi num caminho que pudesse deixá-los a vontade para compor cenas e espaços. Quiz que eles se sentissem intensamente proprietários do que seria mostrado ao público. Donos de si = Donos da cena.
A regra que predominava era sempre a VERDADE: só se movimentem /desloquem / falem se for verdadeiro. Deixar o corpo falar / conduzir / expressar - esse foi o comando.
Sem fechar nada, fomos nos instalar no Palacete. O que existia de certo eram os espaços que cada ator construiu a partir de temáticas extraídas da obra de Mia Couto:
  • Indaiá: Mulher
  • Eddy: Pescadores
  • Jeferson: Mar
  • Junior: Tempo - Memória
  • Manuela: Sonho
  • Buranga: Fé - Religiosidade
Montados os espaços, atores vestidos e prontos, abrimos a porta da ludicidade e nos embriagamos com o riso da desconstrução dos indivíduos que desnudos da necessidade de mostrar algo preparado / ensaiado / finalizado se expunham lindamente para o público que ali compartilhou desse raro momento.
A descoberta do dia foi o humor na feitura do trabalho, o riso na criação das relações e personagens, a vivacidade e leveza do ser que cai e levanta e que do ridículo tira proveito, revelando-se verdadeiro ao expectador.
As palavras do final: "parece que por aqui passaram bufões". De fato, entre tintas, copos amassados, almofadas molhadas, papéis rasgados e roupas pintadas, fomos pra casa leves e, certamente, mais entregues ao Mar que nos quer.

Luiz Antônio Jr.

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