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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mar Me Quer * Bem me Quer




sábado, 27 de fevereiro de 2010

É DIFÍCIL DOMAR A LÍNGUA!

Ontem o início dos trabalhos, foram coordenados por Israel e Aldo. Repetíamos e adcionavamos mais impressões físicas e cognitivas. Somavamos todas as vivências dos espaços que nos apresentamos, além dos resultados obtidos no último ensaio.
Depois cada um, individualmente, apresentava suas partituras. A partir daí veio uma série de correção. Começando por Eddy. Que foi a primeira a se apresentar. Luiz pontuou várias coisas. Levou um bom tempo. E a cada palavra percebia Eddy se retorcendo toda, agoniada em justificar cada passo que tinha dado. Fiquei observando aquele momento e vendo o quanto é difícil para um ator ouvir sobre seus erros, esquecimentos, o acerto que ainda não está bom...uma série de coisas. O quanto é difícil não abri a boca para dizer: mas isso foi por que... Enquanto tudo aparentemente está contra você.
E quando a observação era para todos, resultava num alívio tão grade que ningém faz idéia. Depois foi a vez dos demais até chegar a minha vez. Ouvir cada paralavra domando minha boca para não me justificar. Mas logo ele (o diretor) falou no figurino, aí desandei a falar descrevendo como seria; sem parar.
Como é difícil domar a língua!

Indaiá Oliveira.

SURPRESAS DE OUTRO MUNDO

Em 25-10-2010,
Estavamos todos em sala, relembrando nossas partituras e estudando novas possibilidades, quando Luiz (o diretor) adentra a sala e assume os trabalhos. Inicialmente pediu para que andassemos pela sala. E em seguida nos descontraiu com um exercício de um pegar no....nas nádegas do outro. rrrrrrrrrrrrr. Depois inseriu o elemento da flor imaginária. Aí pegavamos nas nádegas segurando a flor. Logo fomos estimulados a colocar nomes e esfregar a flor.....E eu ria muito. Mas alguma coisa estava no ar. Fomos aos poucos orientados a andar na ponta do pé; a pensar que carregavamos malas de 50k (nossos ombros e braços ficaram endurecidos); que carregavamos latas com água na cabeça e nas costas (nisso o corpo ficava todo curvado); a dobrar os joerlhos; a apontar o peito para o céu....uma série de estimos. Agora eu morria de dor! Depois de quase uma hora e meia de anda-anda, subimos em bancos; colocanos nosas cabeças dentro deles, ficamos algumas horas visualizando o marmífero e gritando para que não fosse embora. Por fim nos rastejamos até achar a calmaria e alívio perto de uma bacia.
Ser ator não é mole!
No término do ensaio, Luiz (Buranga) comentou emocionado que no decorrer dos exercícios lembrou de uma tia sua (do interior), que era muito presente quando tinha 10 (dez) anos de idade. Verbalizou o zelo e carinho que ela tinha por ele e seus irmãos. Por ter tomado conta dele e também de seu pai. E por se amedrontar com tudo. Que só em pensar que tinha alguma coisa perto dela, a mesma dava um grito. E que na sua morte, ele e sua família não foram avisados (já que ele estava morando na cidade) por sua prima que morava com ela.
Aquele homem enorme estava se debulhando em lágrimas na nossa frente. E era lindo de ver. No mesmo momento passei a lembrar de minha mãe (in memoriam). É isso; que o teatro faz conosco. Nos leva a acessar nossas memórias. Enchendo as personagens de verdade.
São surpresas de outro mundo.

Indaiá Oliveira.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NOVAS EXPERIÊNCIAS

23-02-2010.
Lá estava EU, novamente. Teatro Cine Solar Boa Vista.
Buqbuqbuqbuqbuqbuqqqqq. É o meu coração. Tudo por que me foi dito para criar novas histórias, que estas fossem fundidas com as impressões físicas e cognitivas trabalhadas. Mas não tinhamos nada certo.
Como é o início?! E o final gente!! Pânico total.
Por um milagre de Deus, Luiz (o diretor) definiu como seria nossa entrada. Mas só a entrada.
Tudo pronto. Ou mais ou menos pronto. Entramos cantando uma cirada. Depois ficou tudo por nossa conta. Até demais. Foi água molhando pés; rosto; pernas e meu corpo inteiro.
Quando estava no máximo da concentração, ouvi-se uma zoada. Zuuuuuuuuuuuuuu...Era uma moto passando. Seguida de vozes no decorrer da apresentação: - "Eu também vou! Vai com Júnior! O que isso ai rapaz? Um bando de malucos! HAAAAAAAAAAAA! Ih! olha outra moto passando. Haaaaaaaaaa! E Eu fazendo sinal para Luiz (Buranga) entrar em cena para terminar a apresentação e ele me prirraçando. Quando ele entra; Eddy sai. Logo Eu murmurando disse: -" Fica aí merda! Isso sem perceber que Luiz (o diretor) estava fazendo a dança do acaba a performance. Freneticamente parecedo um louco. Haaaaaaaaaaaaaaaaa
Terminamos poeticamente numa roda, dançando uma linda ciranda. E Eu toda molhada. Até a calcinha.
Novas experiências de uma atriz que quer aprender muito com Mar Me Quer.


Indaiá Oliveira.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Do exercitar!

Ontem, na verdade anteontem (diante da hora em que começo a escrever esta postagem), realizamos a quinta intervenção/instalação do nosso Mar Me Quer, no Solar Boa Vista.

Como nas últimas duas (a do Palacete das Arte e da Estação de Trem) o exercício e o ineditismo dominou.

Ao contrário da instalação da Estação, que tivemos dois dias para ensaiar e que, diante de inúmeros acontecimentos, acabamos não produzindo um material fechado, para a apresentação do Solar tivemos alguns dias para trabalhar, testamos algumas coisas, retornamos a estruturas utilizadas anteriormente, mas, por fim, a opção foi a de experimentar deixar os corpos e as mentes descobrirem na hora a cena que o público veria.

No final deu tudo certo! Fiquei satisfeito com as relações construídas e com o material gerado em cena.

Ao chegarmos quase no final desse ciclo, tenho a sensação que esse processo funcionou como um check up de nós mesmos, das ferramentas que dispomos e que utilizamos na hora da criação, para nos salvarmos em cena.

Acho que isso tudo é bom para ter uma dimensão do que temos, está chegando a hora de descobrir o que não temos ainda para mergulharmos nesse mar que nos quer. Pessoalmente estou controlando a ansiedade de entrar na próxima etapa do trabalho, afinal, ainda temos mais uma instalação para fazer no domingo na Biblioteca Central.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um Mar Me Quer no MAM

Um Palacete de Mar Me Quer



por Alessandra Novhais

Um Trem de Mar Me Quer

por Alessandra Novhais

INSCRIÇÕES ABERTAS!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Depoimento de Edy Veríssmo

Como combinado, veja o que Edy Veríssimo fala sobre a performance no trem da Calçada.

http://www.youtube.com/watch?v=EXBP61wKmZQ

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Agora que acabou o Carnaval, dizem, é que o ano começa por estas bandas do Atlântico. Mas, como quem acompanha este blog pode perceber, 2010 já começou há muito n'A Outra Cia de Teatro e eu, estou cada dia mais feliz em fazer parte dessa coisa toda. Sim, é uma coisa.
Coisa, porra, negócio, parada, ou qualquer outro termo que explica tudo não explicando nada, porque às vezes simplesmante não há como explicar, achar o significado de um significante que só nos chega através do sensível e não do racional. Quantos poetas não dizem do sofrimento em tentar transpôr para o papel sentimentos? Sim, eles sofrem.
Palavras existem e nos oferecem alívios. Assim explicamos o que é amor, saudade, ódio... simplesmente escrevendo "amor", "saudade", "ódio"... Mas parece tão pouco.
Sobre a viagem de trem que fizemos, só tenho a dizer que admiro cada vez mais o potencial dos atores dessa Cia. Uma capacidade improvisacional, uma capacidade "cara-de-pau" que invejo. Agora, sobre o sentimento que nasce para com cada um dos que estão nesse processo, as palavras não chegam, nem de trem, nem de metrô, nem de supersônico... Só sei que é algo bom. Muito bom.

De trem...

Véspera de carnaval, a cidade se modificando, assim como nós! No dia anterior uma reunião tensa. Muitas coisas discutidas, algumas decisões, outras certezas. Entre elas duas coisas reverberaram em mim: a mudança de posição em relação a Jeff que saiu do processo e a constatação de que somente Eddy e eu apresentaríamos no trem.

Duas certezas e dois sentimentos: sobre Jeff um sentimento que não sei exatamente qual é, sobre Eddy e eu fazermos a intervenção no trem um sentimento de confiança. E assim fomos para a Estação de Trens da Calçada.

Chegando lá, figurinos postos no corpo, Luiz propôs o jogo: vamos brincar de contar histórias para o povo do trem tendo como agentes motivadores uma placa com as incrições "Bem me quer" e "Mar me quer" para indicar se a história seria alegre ou triste e um balde com vários cartões com as palavras avô, Zeca e Luarmina para sortearmos de quer seria a história a ser contadas. Além disso só a motivação de que Zeca e Luarmina se conquistariam a partir das histórias.

Para descrever o que aconteceu a partir daí basta uma palavra: genial.

Genial conceber histórias alí na hora, inventar umas, lembrar de outras, furtar da memória e do repertório outras tantas, contar com a cumplicidade dos passageiros do trem, de Luiz, Hayaldo, Israel e Alê, e de Eddy, companheira de tantas batalhas.

Foi muito bom está em risco, muito divertido encontrar pessoas que nos reconheciam de outros carnavais, como foi o caso da gêmeas que tinham nos assistido em Remendo-Remendó há cerca de seis anos, e muito bom interagisr com o ambiente e cumprir a proposta. Sinto que, de certa forma, estamos nos fortalecendo como atores, a cada vez que vamos para rua, que embarcamos num novo desafio, estamos crescendo.

E vamos pra frente!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Histórias no Trem...

Mais uma faceta da Outra Companhia na 4ª instalação urbana.


Jr e Edy deram vida a Zeca e Luarmina e suas histórias foram contadas ao longo do trajeto do trem que fazia a linha Calçada-Paripe. Ao longo de toda viagem, as histórias foram ouvidas pelos passageiros que se divertiam muito. As histórias do Mar eram as prediletas. Você acredita que encontramos um homem que conheceu o Agualberto (personagem do conto)? O tempo passou e não percebemos que estavamos chegando ao fim. Foi tudo muito mágico e a viagem daquelas pessoas nunca mais será a mesma!


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ao Balanço do Trem

Bem, Quarta-feira dia 10/03 foi nossa quarta performance com o tema História de Pescador. Saímos do teatro por volta das 16:30 e chegamos na Estação da Calçada as 17hs. Antes de chegar na estação eu estava nervosa pq até então não fazia a mínima ideia do que Luiz ia passar pra gente apresentar, Jr parecia tranquilo, mas eu, sempre anciosa e perguntei: por um acaso, alguém sabe o que vamos apresenta? e nada de ninguém responder e Luiz tome cortar papel, tome cortar papel, daí ele pediu pra gente escrever os nomes dos três personagens, Zeca, Luarmina e o avô e pediu para colocar dentro do balde, foi feito também uma placa onde estava escrito, de um lado, Mar-Me-Quer, do outro, Bem- Me-Quer, eu fiquei com o balde e Jr com a placa. E nada de descobrir o que a gente ia fazer, bem, pensei, Luiz não é maluco, ele sabe o que está fazendo, apenas restauram eu e Jr e se fosse para ele desistir ele tinha feito isso no dia anterior, sendo assim, só me restou pensar, que bom, ele confia na gente.

Esperei muito por esse dia, sabia que ia mexer muito comigo, passei uma grande parte da minha infância e adolescencia andando de trem com papai, ouvindo ele contar histórias, as pessoas rindo, e eu tendo de confirmar tudo que ele contava "filha de peixe peixinho é" chegou o momento de Luiz falar o que a gente ia fazer " ai meu Deus o que será"fui colocar o figurino rápido e sem uma maquiagem se quer, conforme ele solicitou.

Entramos no trem, eu com o balde e o banco e Jr com o banco e a placa, cada um em um canto do trem, Luarmina e Zeca foi bonito de mais gente! Começamos a interagir com os passageiros contando as histórias ,achei que não ia ser tão mágico pelo fato de ter só eu e Jr mas estava enganada, tudo começou a surgir, a cada mudança de intenção eles entravam de cabeça com a gente. Tinha uma marcação que a gente trocava de lugar, e a deixa era Israel bater palmas, e kd essa que nunca conseguia ouvir, pensei: será que já bateu e eu não escutei, bem não posso esperar mais, lá vou eu trocar de lugar, quando estou no meio do trem Luiz dis-cre-ta-men-te fala: volte pq o balde tem que ficar lá"rsrsr" êta aí o bicho pegou "rsrsr" o trem estava lotado, foi nessa hora que a energia tomou conta mais ainda, de um lado Luarmina do outro Zeca, um disputando suas histórias, rolou até ciúmes de de Luarmina por causa dele, pra pirrassar Zeca, ela dançou até com um passageiro. Falei que só me casaria com ele se uma única vez contasse uma hitoria verdadeira, foi tão difícil de ela acreditar pq foi cada uma mais macabra que a outra. Tinha até passageiros torcendo pra que fizessimos as pazes.

Luarmina começou a contar sua história de vida para uma passageira, contou que ela não tinha muitas lembranças de seus pais, mas de uma coisa ela lembrava bem, que sua mãe nunca tinha feito um carinho nela, nessa hora a passageira ficou tão emocionda que pegou a mão dela e passou no rosto de Luarmina, como se estivesse preechendo aquele vazio, com os olhos cheio de lagrimas, falou: não fique assim não. Foi muito forte esse momento tb.

Luarmina e Zeca dançaram uma ciranda em pleno balanço do trem, foi como se estivessem sendo levado pelo balanço do mar, do MAR-ME-QUER, BEM-ME-QUER.

Só quem estava lá sabe o que passamos , o que sentimos, e o que vivemos. ( Eddy, Jr, Israel, Hai,Alê, e Luiz). Tudo está sendo uma experiêcia e essa foi mais uma.





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Entramos no Palacete. Daí veio a preocupação. E o Público?! Melhor substituir. Onde vamos montar os espaços?

Júnior: -"Acho melhor centralizar".
Cadê Luiz?! Só ele pode definir.
Desta vez cada ator, criou seu espaço de acordo com temas retirados do universo do texto.
Tempo;
história de pescador;
mare;
sonho....os pontinhos é o espaço de transição (com pipoca, sal grosso e fita do Senhor do Bonfim - negócio forte mesmo!) entre o espaço da mulher. Por fim veio a religiosidade.
O sinal toca. Era a voz de Luiz. Vamos?! Depois de tudo dito, nos arrrumamos. Estamos Prontos. Começou. Júnior foi o primeiro a entrar no espaço do tempo. Seguido depois dos demais. Fomos seguindo o caminho lentamente, lembrando da respiração, do movimento. Depois ouvir de Luiz: o comando agora é lançar. Meu amigo, comecei a lançar copos com água para todos os lados. Quando percebi tinha copo amassado no chão, todos estavam molhados.
No espaço do sonho, Eddy achou de sentar dentro do balaio. Foi um prato cheio para eu e Emanuela estravasar nosso palhaço adormecido e pintar o rosto, que passou para o vestido, com tinta guache. E ela resmungava baixinho: -"meu vestido!" RRRRRRRRRRR
Depois Eu corria para encher a camisa de Luiz (Buranga) com almofadas, enquanto Emanuela me seguia qurendo me pintar. -"Meu cabelo não!" Me vestiram de Xuxa! Foi uma bagaceira!!! Uma brincadeira gostosa. Brincadeira não, trabalho acreditem!
Finalizamos cantando as cantigas de ciranda no espaço religioso. Depois roubei uma bala do santo. Quê, quê!


Uma história de Mar-Me-Quer ou de Bem-Me-Quer?

Assim foi a intervenção urbana na Estação da Calçada que aconteceu agora a pouco, dentro do trem. Na noite de ontem tivemos uma extensa conversa, desde os problemas com a montagem do Mar Me Quer até as relações com A Outra Companhia - integrantes x integrantes x Vila x tudo!

O fato é que não ensaiamos o que seria apresentado na Calçada, ou melhor, não chegamos nem a rascunhar o que poderia acontecer lá no trem.
Da noite de ontem, saimos com a resposta de que somente Junior e Eddy fariam a intervenção. Buranga não poderia naquele horário por conta do trabalho, Indaiá teve plantão no dia, Manuela tinha trabalho final da faculdade para apresentar e Jeferson na noite de ontem passou a ser amigo do grupo, e não mais um "outro" (doloridamente...).
Daí, com os dois atores que conheço bem e sei como futucá-los, trouxe um jogo que era o Mar-Me-quer ou Bem-Me-Quer. Junior era o Zeca e Eddy a Luarmina. Numa placa estavam escritas estas duas coisas, cada uma num lado. E num balde estariam papéis com os nomes dos personagens escritos. Cada um dos atores teria um banco e só. Dentro do trem em movimento iniciamos a brincadeira: Eddy ficou com o balde e Junior com a placa, a cada palma eles deveriam trocar de lugar, passando entre as pessoas, quem chegasse no balde deveria jogar pra cima uma quantidade de papel e pegar um, o nome que tivesse seria o personagem que junto estraia na história contada aos passageiros do trem. E quem chegasse na placa deveria contar uma historia de acordo com o que estivesse escrito do lado da placa (Bem-Me-Quer: uma história feliz, alegre... Mar-Me-Quer: uma história triste, saudosista...).
Isso, os atores só souberam na hora de entrar no trem, até lá ninguém sabia o que aconteceria. Eddy era só contando piadas e histórias par descontrair a tensão... toda hora falava: "ninguém sabe o que vai fazer, o diretor não disse nada".
Nos primeiros momentos, foi lindo, cada um no seu canto contando as histórias e o povo atento, até na primeira troca, tudo embolou e ficou mais lindo ainda, ali eles encontraram o eixo, juntos um queria contar mais histórias que o outro. E o lance foi: Zeca pra conquistar Luarmina tinha que lhe contar uma história verdadeira e todas as que ele contava, ela dizia que era mentira. Na disputa pela verdade, rolou ciúme, dança com passageiros, gente que conhecia Agualberto, histórias absurdas e engraçadíssimas que nem a gente aguentava e caía no riso. Tanto que a viagem de ida passou tão rápido que nem sentimos, já a volta viemos curtindo as paisagens já noturnando e os sons dos ferros do veículo que rapidinho cruza da Calçada a Paripe.
Para muita gente do Trem, aquele foi um momento de descontração e magia, gente que voltava do trabalho pra casa, gente que tava passeando, gente que pegava o trem pela primeira vez (como eu!). Interação múltipla. Vontade de fazer mais coisas naquele trem.
Carnaval já bate a porta, e é hora de parar um pouco o processo pra vivenciar outros... recarregar as energias... refletir... e voltar com mais garra pra fechar esse ciclo de criações e intervenções! Simbora! Axé pra todos nós!

Luiz Antônio Jr.

O dia do apagão de Buranga. Estava tudo certo para ser um exercício como todos os outros.Todos muito concentrados, aquela história de na base, respira e segue o comando do senhor Luiz A. Junior, de repente eu não ouvia nada que Lu falava, lembro até a hora que ele disse algumas palavras e eu comecei a me torcer, como se alguém quisesse que eu olhasse para trás, onde estava o meu altar armado com várias imagens de santo, farofa, pipoca, todo um preceito armado com muita alfazema. Não ouvi mais nada. Uma força queria que eu olhasse para trás para onde eu tinha armado o altar. Me retorcia todo quase sem controle, claro eu não percebi nada. A força queria me derrubar me colocar no chão. Foi muito ruim porque você não tem controle do seu corpo. Não entendi, peço que me perdoem, se por acaso eu ofendi alguém com minhas brincadeiras, peço licença. Sem brincadeiras com o que eu não conheço. Buranga

O mar me quer, eu quero o mar. Mia Couto, quem é eu nao sabia. Fizemos muitas leituras dramáticas, muitos textos, ufa. Peformances mil, no vila, no mam, no museu, muito bala. A primeira vez a gente nunca esquece, de fato, fazer uma cena com as pessoas passando pelo meio, nao foi fácil, na sala foi uma coisa, as vozes se encaixavam, funcionavam, as cirandas nem se fala. Foi muito bom, está sendo muito dez, é uma experiencia que eu nunca tinha vivido. O texto mar me quer é cheio de imagens. Estamos despedaçando o texto ismiuçando cada detalhe, por exemplo: quem era o avô, qual é a sensação. Em todas as cenas que tem o avô, eu acho que é sempre tarde, ele foi um homem que entende do mar, as vezes ele é muito metafórico, com mágoa do filho, agressivo etc. Na primeira performance, mexemos com os sonhos, com religião, passado, mar, pescador, fizemos várias interações com cenas armadas, altares. No jan do mam foi ótimo, no inicio pensei que não ia funcionar, com toda aquela zoada dos músicos. Foi bom. Fiz cada cena sete vezes, as pessoas me seguiam, queriam roubar o meu tamborete, achavam que era um ritual de macumba, no mam foi um must.... salvador, véspera de carnaval, com toda a cidade fervendo. Buranga.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sexta-feira de dores para um Sábado de Diversão

Bem, na sexta-feira dia 05 Luiz começou fazendo um trabalho de alongamento com agente, por sinal bem porradão, cheguei ao ponto de achar que estava preparada para dançar balé (rsr) o trabalho foi em dupla, fiquei com Emanuela já que somos do mesmo tamanho, tudo isso Luiz dando o comando. Depois começamos a fazer um trabalho de dinâmica, vários jogos, ufa!! bem exaustivo. Foi dividido em dois grupos, Luiz ficava olhando um e Hai olhava o outro, esse foi massa, apesar!!! dos dois com uma lente mais do que avançada conseguiam vê até o fio do nosso cabelo balançando "dava uma raiva" rsrsr Hai era de mais.... mas meu grupo ganhou. No começo tive um pouco de enjou, calma, não é nada disso que vcs estão pensando, foi que eu tinha acabado de comer e comecei fazer os movimentos.


O Sábado!!! dia 06/03 da nossa terceira performance no Palacete das Artes, um dia de muita diversão,alegria e por incrível que pareça, pelo pouco público que agente teve foi de muita interação. Começou com o tema "Tempo" e por fim "Religião".

Aí é que está o negócio!! Até chegar lá muitas coisas aconteceram. De banho de tinta a imitações de "celebridades"

Agora por essa eu não esperava, já estávamos na parte do sonho Luiz pede para eu sentar na bacia, quando menos espero, Emanuela e Indaiá pintam os meus olhos de tinta, daí em diante foi só alegria, tinta pra tudo quanto foi lado, meu vestido se foi, já era, só outro agora.

Essa marcou tb, eu, Jr, Feferson e Buranga dançando pagode sobre os comandos de Luiz, sendo que um de cada grupo, tinha que se mostrar muito para o público e o outro impedindo de todas as formas, o pagode comendo solto, até que Luiz pede para os três pararem de canta e só eu cantava o pagode, aí o bicho pegou,chegou um momento que não lembrava mais de nenhuma música de pagode e comecei a cantar a música do Legião Urbana ( pais e filhos) transformada em pagodão. Foi mau Luiz!!!

RSRSRS Essa foi de mais Indaiá imitando (xuxa) gente!!!, Eu (Carla perez) alejada só com um par de sapato, Buranga grávido imitando Carmem Miranda, Emanuela (Margarete Meneses) (rsrsr) todos fizeram uma imitação.

Confesso que no começo fiquei um pouco triste, pq não tinha quase ninguém pra vê, mas de uma coisa eu pude ter certeza, as poucas pessoas que ali estiveram trouxeram pra gente uma energia maravilhosa, viva, como as duas crianças que vibravam assistindo agente, e quando eu chamei as duas pra dançar elas ficaram rindo e não pensou duas vezes levantou e começou a dançar foi lindo. Sentir tb que o diretor se divertiu muito, assim como os dois assistentes, Alê, nem se fala pensei que nem ia conseguir fotografar, pois só ficava rindo!! Isso mostra que a diversão naquele momento chegou para todos que ali estavam.

Valeu Valeu muito. Vamos em frente que ainda temos muita coisa pela frente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O que diria Rodin?!

Foi um dia extremamente divertido! Acho que o sobrenome do processo de sábado foi diversão!
Sem muitas palavras, me pergunto apenas, o que diria Rodin, ao nos ver fazendo aquela "arruaça", como um bando de bufões ao lado de suas obras?!

Por R. Junior

As crianças do Palacete

Durante toda a semana que contou com a mais do que inspiradora festa de Iemanjá, tivemos muitas surpresas e emoções. Os atores revelaram-se artistas plásticos em potencial e algo, no mínímo sobrenatural, aconteceu na quinta-feira (mas sobre isso é melhor nada dizer). Na sexta, o clima foi mais leve com uma série de jogos e no sábado... O Palacete das Artes. Logo que cheguei ao Palacete das Artes na tarde de sábado passado, confessei a alguns colegas que essa terceira intervenção d'A Outra Companhia seria a que mais gostaria de fazer. E, ao final, tive plena certeza do que havia previsto. Tanta certeza que fico na dúvida entre dizer se poucas pessoas foram assistir ou se muitas pessoas perderam o que aconteceu ali.
Cada ator teve um tema para desenvolver, durante a semana, seus espaços. Júnior ficou com tempo, Eddy com pescador, Jef com mar, Manu com sonho, Indaiá com mulher e Buranga com religião. Ao chegarem no Palacete, organizaram uma fileira (que, em breve vocês provavelmente verão em alguma foto a ser postada) constituída pelos espaços justamente na ordem exposta acima, indo do tempo até religião. Esse deveria ser o caminho a ser percorrido por eles.
Após terem arrumado os espaços, porém antes de os atores se vestirem para dar ínicio aos trabalhos, duas crianças filhas de um funcionário do local começaram a se aproximar para observar aquele caminho. Cheguei perto delas e comecei a explicar o que estava para acontecer. Crianças...
... eram assim que pareciam os atores durante o percurso. Uma longa parada no baú do tempo, recheada de abraços; um jogo de "eu levo" na parte do pescador; a felicidade no estouro das bolinhas do plástico bolha no mar; a melança de tinta e o jogo de preencher o outro de almofadas no sonho; o momento de brincar de ser alguém famoso e fingir estar no carnaval da Bahia na mulher e a resignação obediente (como fazem as crianças ao ouvirem a bronca dos pais) na religião. Sim, as flores do MAM agora eram as crianças do Palacete.
Pena que eu fiquei de fora.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Fanfarra no Palacete

Em meio a beleza do Palacete das Artes, a terceira performance surpreendeu a todos. Esperavamos mais uma apresentação que levassem a refletir os temas propostos para cada ator, mas o que se viu, foi uma grande "farra" de muito bom gosto. Característica marcante na Companhia, o HUMOR, tomou conta do espaço fazendo até o diretor cair na gargalhada. Caretas, escorregões, tinta na cara e um show de improviso dos atores, fizeram desta instalação urbana a melhor de todas. As pessoas que compareceram no local, riram e prestigiaram muito e agora, ficarão na expectativa do que virá pela frente. Só nos resta, esperar...

Um Palacete de Humor


Sábado.

06 de fevereiro de 2010.
Palacete das Artes / Museu Rodin.
Sabíamos que seria nesse dia e nesse local a nossa próxima instalação / intervenção / performance / experimento cênico. Tema: tempo - memória. Seis atores em busca de respostas às provocações do jovem diretor mergulhado nesse Mar Me Quer.
Ao longo desta semana, fui conduzindo os trabalhos de modo a atender as necessidades de cada um, para deixá-los tranquilos e donos de si. Trouxe jogos, dinâmicas, brincadeiras e atividades que despertassem uma dilatação corporal nos atores, deixando-os mais receptivos a estímulos e provocações diversas: do espaço, dos sons, do colega, dos objetos, dos comandos.
Alongamentos e exercícios de dilatação física. Foi assim em quase todos os dias. Até que numa das imersões, o mergulho profundo quase nos roubou. O desequilíbrio, o incômodo, o tremor, o suor, a respiração, a torção, o sopro, a queda! Abre os olhos, volta a si, consciência.
O fato é que diferente das outras semanas, ao longo deste dias eu investi num caminho que pudesse deixá-los a vontade para compor cenas e espaços. Quiz que eles se sentissem intensamente proprietários do que seria mostrado ao público. Donos de si = Donos da cena.
A regra que predominava era sempre a VERDADE: só se movimentem /desloquem / falem se for verdadeiro. Deixar o corpo falar / conduzir / expressar - esse foi o comando.
Sem fechar nada, fomos nos instalar no Palacete. O que existia de certo eram os espaços que cada ator construiu a partir de temáticas extraídas da obra de Mia Couto:
  • Indaiá: Mulher
  • Eddy: Pescadores
  • Jeferson: Mar
  • Junior: Tempo - Memória
  • Manuela: Sonho
  • Buranga: Fé - Religiosidade
Montados os espaços, atores vestidos e prontos, abrimos a porta da ludicidade e nos embriagamos com o riso da desconstrução dos indivíduos que desnudos da necessidade de mostrar algo preparado / ensaiado / finalizado se expunham lindamente para o público que ali compartilhou desse raro momento.
A descoberta do dia foi o humor na feitura do trabalho, o riso na criação das relações e personagens, a vivacidade e leveza do ser que cai e levanta e que do ridículo tira proveito, revelando-se verdadeiro ao expectador.
As palavras do final: "parece que por aqui passaram bufões". De fato, entre tintas, copos amassados, almofadas molhadas, papéis rasgados e roupas pintadas, fomos pra casa leves e, certamente, mais entregues ao Mar que nos quer.

Luiz Antônio Jr.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Guardando.

Pensei em falar muita coisa... mas sinto que o momento é de guardar... pelo menos pra mim!
Então... prefiro manifestar meus prazeres, o brilho que eu tenho recebido no olhar e o sorriso constante... com fragmentos.

"Ele não sabe o que é o amor..
e eu não posso viver sem ele"

"Tava dormindo, acordei sonhando..
puxando os fios do cabelo dele."



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MAM me quer

Que o MAM é um local maravilhoso e que exala boas vibrações, todo soteropolitano sabe. Guardo belas recordações desse lugar, agora incrementadas pela passagem d'A Outra Companhia por lá no sábado passado.
Minha missão era ser o "anjo da guarda" de Jeferson, basicamente tendo que observá-lo para que nada saísse errado enquanto desenvolvia sua ação. Ficava meio afastado, tentando disfarçar minha posição, seguindo-o nos sete pontos em que apresentou. O belo ator de dorso nu, logo na primeira passagem de um ponto para outro, recebeu uma cantada de uma negra lindíssima, e passou adiante.
Em alguns momentos, encontros aconteciam. Pude ver uma grande roda dividida por Edy e Manu ou duas rodas muito próximas com Jef e Jr, ou Jr. e Buranga. A cada momento de explosão de algum dos atores, o foco era transferido.
Soube de uma moça que chorou com o "florista" Júnior. Talvez a perfeita mostra de que ali, entre tantos sons (do mar, do jazz, da barulheira de tanta gente a conversar), entre tantos cheiros, entre a bebida que entortava os sentidos, ali no asfalto, nascia uma flor. Seis flores, para ser exato.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Adquirindo impressões.

Medo.

Passeio Público X MAM.
Medo.
Essa é a palavra. Para uma atriz que está acostumada a encarar o público com a personagem.
No Passeio Público estava tudo certo. Acertado. Todos concentrados...qual cena vem agora? Perguntava Eddy bem baixinho para Luiz (Buranga!). Era tão baixinho que eu escutava. Depois eu me perguntava. Depois Júnior. Todo mundo se perguntava! E lá estava Eu, Indaiá Oliveira, dando a cara e o corpo dolorido para bater. Pensando em cada detalhe. Na resa, nos colegas, pensando na próxima cena. Branco. Lembrei! Será que estou falando baixo?! Vou cair desse banco. Que paranóia! Aí senti o público curtindo. Entendendo e aberto ao que estava sendo proposto. E a ciranda, no término comprovou. tinha a participação da platéia. Linda! Foi lindo.
No MAM, pensei. Ninguém vai olhar para minha cara. Ninguém vai me ouvir gente!
- " Acho que não vai ser possível as pessoas nos ouvirem. Então vamos improvisar. O corpo fala. Isso não quer dizer que vamos esquecer o texto. Não! Vamos fazer como ensaiamos. Disse Luiz (o diretor)
- " Deus ouviu minhas preces". Pensei.
_" Mas pode ficar, cada um na sua viagem. Né lu?!
-"É! Cada um na sua viagem.
Fui. No início a vela não acendeu. Improvisei passando ela pelo meu rosto e quebrando-a ao meio. Em seguida joguei no chão. No centro do banco. Quando subi no mesmo, ouvi: - " ela vai fazer alguma coisa com a gente. Acho que vai jogar água". Neste momento abriu uma clareira. Não ficou um ser vivo perto de mim. Deu uma dor no pé da barriga.
Senti que durante o trajeto o público começou a ficar à vontade. A entender nossa presença. Nossa interferência. Aos poucos foram participando. Jogaram água na minha cabeça e não correram depois. Incrível! Recebe uma linda rosa. E assim fui ao longo de oito momentos. Improvisando feito a nêga do leite. A cada momento, o público diferenciava. Umas coisas funcionavam, outras não.
Final.
Por que você não disse Zecaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Repentinamente. (gritei)
Não sei qual foi a reação do público que estava próximo. Estava com os olhos fechados.

Por: Indaiá Oliveira.

Vôo sem asa - exercício

Vôo além do horizonte. Braços abertos. Levemente tencionados. Balanço o corpo. Quero liberdade. Estou preso. Ponta de . Quero sair!!! Balanço para frente, lados, braços sempre pesados. Ando cruzando as perna. A cabeça segue num rodopear. Os braços se abrem. Vou direto ao chão. Me debato. Bumbum para cima, braço esquerdo nas costas.

Estímulo! Puxa a camisa, balança o torax. Fico sentado. Braços cruzados. A cabeça gira. Imagem de Iemanjá.

Por: Indaiá Oliveira.

Impressões do exercício

Estou só. Perambulando. Corpo cansado, cabeça arqueada, de cócoras. Um braço esquerdo com a mão na frente. A outra alinhada ao corpo. Deito. A perna esquerda mais a frente. Rolo pelo chão. Abraço-me.

-"Proteção".
Um sono no rosto. Mão na cabeça.
-"Desespero".
Deixo cair sobre o pescoço.
-"As mãos".
Fico de cócoras. Balanço. Cadeira de balanço. Sons. Ah! levanto e choro. Rodo com as pernas curtas. Levanto lentamente. Blusa aberta.

Por: Indaiá Oliveira.

MAM

Sábado, dia 30 de janeiro, MAM. Dia e local de nossa segunda instalação urbana baseada no Mar Me Quer.

Ao longo da última semana de trabalho, tínhamos nos focado em trabalhos individuais, micro-solos, que tiveram como ponto de partida um pouco do material produzido e apresentado no Passeio Público e a outra metade, inicialmente vinha da troca de cartas entre os personagens. Assim, sabíamos um pouco da história do outro e absorvíamos um fiapo da forma narrativa do colega de cena.

Disse "inicialmente" por que ao longo de uma semana de trabalho descobrimos novas formas de fazer, novos estímulos, e o que senti na mostra de sábado foi que estávamos mais junto separados do que quando de fato apresentamos todos num mesmo lugar, a exemplo do Passeio Público.

Explicado, sucintamente o processo, passo então para o que interessa: o sábado. A proposta era repetir minha partitura seis vezes, podendo brincar de ordenar e desordenar a seqüência. Confesso que da primeira vez que executei a partitura senti que não funcionou, as pessoas estavam desatentas, eu não estava suficientemente ligado, pronto para o jogo, chegou a me dar uma sensação de fracasso. Curiosamente lembre das palavras de Alexandre Casali quando fala da arte do palhaço: "o palhaço não quer acertar, ele se aproveita do erro, do fracasso". Isso me deu motivação e na segunda vez encontrei dois caras que pararam atentos para olhar o que eu fazia, comentavam, interagiam. Com isso, mudei sem querer a seqüência, esqueci um movimento, mas acho que deu certo. Então veio o estímulo que faltava de verdade para entrar no jogo, numa parte em que eu caia de cima de um banco, tudo planejando, ensaiado algumas várias vezes, caí de verdade, escorreguei, o banco ficou em falso, não importa, sei que o impacto da minha mão no chão me deu um incomodo e me tirou do estado de conforto.

Daí pra frente as coisas fluíram, tive como platéia um grupinho de 3 adolescentes que olhavam de uma maneira bonita, uma mãe com um grupo de crianças acompanhadas inquietas, mas que ficaram pasmas com minha queda, tentaram aprender a música que eu cantava, ficaram envergonhadas quando ofereci uma flor para a mãe, isso sem falar nos vários curiosos que olhavam um pedacinho, comentavam outro bocadinho, sorriam, viravam cara, etc.

No entanto guardei com carinho especial três manifestações: numa das repetições, não sei precisar em qual delas, uma mulher, solitária, me olhava com tanta verdade, embarcou de tal forma na melodia da ciranda que Diana sugeriu que eu cantasse que num dado momento ela começou a chorar, tinha tanta verdade ali, respirei fundo e continuei; na outra, uma mulher, ao final da performance me devolveu a flor que a ofereci para que eu não parasse de fazer; e na derradeira, ofereci uma flor para um homem acompanhado de duas muletas, senti um marasmo na sua face, nos seus olhos, mas também havia muita generosidade.

Foi simplesmente transformador! Senti o mar me querendo! Senti que posso!

Ser levado por algo inesperado

Começamos sentados falando sobre a nova apresentação da instalação no dia 06/03 as 16 hs, definindo qual o tema que seria para cada um. O normal seria com o nosso aquecimento, mas dessa vez foi diferente aliás tudo foi diferente. Quando acabamos de finalizar esta primeira parte já era 21hs, pensamos que Luiz iria liberar já que faltava apenas uma hora para as 22hs nos enganamos, só ouvimos ele dizer: quem quer beber uma água, fazer xixi pq agente vai continuar o trabalho, a cara de Indaiá foi engraçada. Uma coisa é certo valeu muito continuar o processo.

Primeiro Luiz pediu para gente fazer um circulo com total silêncio, concentração de todos e dividir em duplas, primeiro fiquei com Buranga, depois ele trocou me colocando com Indaiá e daí pediu para gente fechar os olhos. Um momento só de ouvir, ouvir, ouvir tudo muito lento.Ele começou a falar para gente perceber cada órgão do nosso corpo, coração, rim, pâncreas, costelas...pra cada um do nós percebesse o som de cada um, o caminho de cada um, o movimento de cada um, eu me sentir literalmente fora do chão flutuando, uma sensação de está sendo levada conduzida por este meu órgão que foi meu coração.

Nada estava sendo forçado, essa sensação começou a crescer, mas crescia não desesperado e sim conforme ele queria não era eu, isso pra mim ficou completamente claro, nunca aconteceu isso na minha vida, teve um momento que eu achei que iria ser levada de tão leve que eu estava, sentia que estava fora do chão mesmo sabendo que estava nele.

Foi louco, eu ouvia o som do meu coração, sentia o meu sangue circulando em todo meu corpo, era tudo muito sutil. Quando Luiz falou ao meu ouvido para eu perceber o som do meu órgão que eu escolhi, eu pensei: puxa Luiz vc ñ está ouvindo? ele já está aqui, só que no tempo dele e assim foi, um som leve, sem pressa, pq daquele jeito ele sabia que eu estava feliz, isso foi mágico de mais gente vê meu sangue circulando pelo meu corpo Todo!! Gente o que foi isso!

Ao sentir a mão de Luiz tocando em meu rosto naquele momento, me dando aquele abraço, foi como se meu coração dissesse: é isso, estou contigo fique tranquila, e realmente sei que ele naquele momento esteve comigo o tempo todo, e não conseguir conter as lágrimas.
O que significa que em pouco tempo muitas coisas podem acontecer.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quando não se sente...

Era um dia normal! Quer dizer, não tão normal assim, afinal, no nosso ensaio de segunda-feira conversamos muito sobre as performances de sábado no MAM e bolamos ideias para a próxima instalação que ocorrerá no próximo sábado no Palacete das Artes. Conversamos muito sobre sensações, indiretamente sobre o que provocamos nas pessoas no sábado passado e o que devemos provocar na próxima mostra do trabalho. Até que, definidos os temas que cada um vai enfocar na sua instalação, Lui disse: "ainda temos mais uma hora de trabalho, podemos fazer muita coisa".

Confesso que cheguei a duvidar do poder e da extensão desta "uma hora", no entanto, os próximos 60 minutos me revelaram que de fato, em uma hora podemos fazer muito (e o que é mais incrível, fazendo tão pouco).

Ao dividir os grupo em duplas, ele propôs uma dinâmica sensorial, na qual devíamos nos concentrar em nós mesmos, ouvir nosso coração, sentir nosso sangue circulando nas veias, etc. O que se seguiu daí pra frente foi revelador.

É incrível como na correria do trabalho e mesmo ensaiando, quando partimos do pré-suposto que o ator trabalha com o corpo, o quanto estamos distante, desconctados do nosso corpo. Ouvir o som do coração, da respiração, sentir a pulsação do sangue correndo, é muito louco. Então, Lui sugeriu que escolhessemos um orgão e deixasse que ele tomasse todo o corpo, toda a sala, todo o TVV. A sensação foi estranha! Pois, a partir daí, perdi completamente o controle do corpo, me senti um estranho dentro de mim, definitivamente, perdi o controle. Tinha, no máximo, controle suficiente para me manter de pé, para apoiar um pouco de peso na ponta dos pés para não cair. Uma sensação de impotência, de desequilíbrio, de instabilidade, e o que é mais louco, a medida que ouvia o comando deixar o corpo crescer, senti meus braços se elevarem sozinhos, por Deus, como não ordenei aquilo. Não sentia peso nem tensão no meu movimento, não sei exatamente quanto tempo fiquei com os braços elevados, só sei que não senti cansaço, nem dor.

Outra coisa marcante foi a sensação de expelir gás, senti como se meu corpo inteiro digerisse algo, pensei que fosse vomitar, mas por outro lado, a cada mínimo vento eu senti gelar meu corpo inteiro, como se fosse de borracha, silicone, algum material que me deixasse todo por um.

Demorei um pouco para me recompor, após terminado o exercício, mas me senti bem. Ao abrir os olhos, no final, estava mais leve. Acho que quando não se sente nada, se senti tudo!

Performances

1º Performance - Passeio Público

Depois de três semanas de ensaios, a fim de buscarmos elementos para a construção do nosso espetáculo, chegamos a duas belissímas performances. A entrega dos atores e aceitação do público fizeram desses dois encontros um grande espetáculo a céu aberto. O Passeio Público e o MAM ficaram inteiramente lotados para ver este grande trabalho. Parabéns a todos aqueles que fizeram e contribuiram!

2º Performance - No MAM a galera participou!







Vibrações do Mar

Sábado dia 30 Janeiro de 2010, Luiz fez um trabalho de pegar cada partitura dos atores, e começou trabalhar individual com cada um antes de irmos para o Man fazer a nossa 2º apresentação com o tema Mar.

Falar do mar, está próximo dele, sentir suas vibrações, com o seu azul exuberante, com o seu por do sol, seu horizonte..... enfim

Saimos do teatro por volta das 17 : 45 e começamos a apresentar as 19 e 50 hs. Nos dividimos e cada um foi para seus respectivos lugares, sendo que agente ñ podia está no lugar onde o outro estivesse.

Claro meu coração batia tão forte e tremia que é uma beleza, quando começamos a presentar, o Mamestava bem cheio.

Pronto! Comecei a fazer minha partitura, e nela tinha um momento em que eu tinha que chamar alguém para dançar, assim eu fiz, e de cara tomei um fora, mas nada que impedisse de continuar, chamei meu anjo Glauber II e dancei com ele.

Tinha que fazer cinco apresentações no total. Recebi uma indicação do diretor (Luiz) super importante que foi: ( ñ gaste a água toda do seu vaso logo na sua 1º apresentação, pois ela tem que dar para as cinco). Assim eu fiz.

A partir da 2º apresentação percebi que o público estava interagindo muito mais, com olhar fixo em mim, sem parar, aquilo foi mágico, pude vê quando fazemos as coisas de verdade elas se tornam verdadeiras. E nesse momento eu tirei um senhor para dançar e ele foi, eu ñ parava de rir e pensei: ufa deu certo!! foi lindo, ele interagiu comigo de uma tal forma que recebemos até aplausos, terminamos e o coloquei ele de volta no seu respectivo lugar.

Lá se vai eu para 3º apresentação, essa foi de mais Fui para um das rampas do Mam com o meu joelho todo ferido e meu companheiro de fé, meu banquinho, quando de repente quem chega?!( Emanuela) e pensei! O que é que essa menina tá fazendo aqui? Já que ñ podemos ficar no mesmo lugar?! Bem! Tive que continuar ñ podia parar.



Quando comecei a dar meu texto um casal me chamou à atenção, não paravam de rir e o olhar fixo em mim, bem no texto que eu falava da minha minha mãe, da ciranda e gritava zeca para dançar... é como se eles estivessem revivendo tudo aquilo. Fui lá e chamei ele para dançar, foi xuxexu puro, ele começou normal depois foi se empolgando, empolgando e começou dançar bolero (rsrsr) eu não sei dançar bolero, e pra ñ passar batido fui delicadamente e coloquei ele de volta em seu lugar. Ele ñ queria parar não viu! Mas foi de mais!



Mas o porradão está por vi!!! Controlei minha água o máximo, e na minha última apresentação percebi que ainda tinha uma quantidade grande dentro do vaso, e bem no momento da minha partitura que eu falava: ( Hoje pela 1º vez eu sentir) Sentir e sentir muuuuuita água foi dentro do meu ouvido, nariz, olho, boca, tudo quanto foi lugar da cara, e nada disso era programado.

Meu ouvido tapou, o olho começou a arder e imediatamente inventei uma partitura e comecei delicadamente pular para que a água saísse do meu ouvido. (rsrs).

Terminei toda minha partitura e sair feliz com o resultado.

Eu percebi que a diferença do Man para o Passeio Público foi que no Man as pessoas interagiram mais com agente, entraram na viagem de cada um, com um olhar, com uma dança, com um gesto, e nem o som do local influenciou na interação de muitos.

Salve Yemanjá!


Senhora do mar
Que traz agora nas ondas do mar
Me leva na hora de amar
Me traz de volta o carinho teu
Me traz de volta o abraço teu
Me traz de volta o cheiro teu
Me traz de volta aquilo que é meu
Odoyá, minha mãe!

Hoje é de festa no mar, dia de celebrar a Senhora mãe das águas. Seja no Rio Vermelho, em Ondina, Itapuã ou na Ilha de Maré, em todos os cantos dessa Baía de Todos os Santos haverá gente saudando Yemanjá.

E lá vou eu também a saudá-la. Que ela receba a mim e a todos d'A Outra deixando-nos entrar no seu mar de amor, magia e fé para o nosso Mar Me Quer.

Luiz Antônio Jr.

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