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quarta-feira, 31 de março de 2010

Memórias da oficina de Caracterização...


Pois é, a oficina versou entre as construções de figurinos e maquiagens para a cena! Desde a cronologia do vestuário até o exercício de leitura do texto "Mar Me Quer", de Mia Couto, e a proposição de figurinos para os personagens-atores. Muito bom! A turma super presente, se divertiu e ainda formou um coletivo para auxiliar/acompanhar/assistenciar o trabalho de Luiz Santana, o figurinista da montagem!


Obrigado a todos que estiveram presentes! Em breve divulgaremos o nome dos assistentes!

terça-feira, 30 de março de 2010

Terminaram as oficinas!


Terminaram na últiima terça-feira as oficinas do projeto Mar me quer. Durante cinco dias o Vila esteve de portas abertas para uma galera super afim de contribuir e aprender.


Ao final das oficinas o saldo foi positivo e estamos certos de que temos pessoas capazes e dispostas a trabalhar.


Muito obrigado a todos os participantes. Valeu galera!


quarta-feira, 24 de março de 2010

Começaram as oficinas!

Começaram nesta segunda-feira as oficinas de caracterização e cenografia do projeto Mar me quer.
Ministradas por Lorena Torres Peixoto e Luiz Santana, respectivamente figurinista e cenógrafa do espetáculo Mar me quer, as oficinas tem como objetivos, além de selecionar dois assistentes que acompanharão o processo desde a concepção até a confecção do figurino da peça, promover o acesso a um curso com esses profissionais.
Oficina de Lorena Torres Peixoto
Nesses primeiros dois dias de oficinas os alunos compareceram em massa, todos dispostos a aprender e a trocar experiências,
As aulas vão até sexta-feira e tem como estímulos o universo do texto Mar me quer, do moçambicano Mia Couto, que será dirigido por Luiz Antônio Jr.
Oficina de Luiz Santana
Esta é a oitava montagem d'A Outra Companhia de Teatro, tem estréia prevista para agosto de 2010, e foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A mulher esqueleto

Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.

Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado de sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.

O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu - logo em quê! - nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto. O pescador pensou: "Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!" Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar.E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.

O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado à superfície e caía suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos.

- Agh! - gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte. - Agh! - berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar de pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia. Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás. Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.

- Aaaaaaaaaaaaggggggghhhhh!- uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saía correndo agarrado à vara de pescar. E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso à linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou.

Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.

O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço de peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou-se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é graças a Raven, é, e também à todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.

Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela - aquilo - jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro, um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um quê de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.

- Oh, na, na, na. - Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos. - oh, na, na, na. - Trabalhou sem parar noite adentro,

até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.

Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira de sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra - não tinha coragem - para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.

O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando. Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.

A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima à luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo, e pôs a boca junto à lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu, bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.

Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm!

Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.

- Carne, carne, carne! Carne, carne, carne! - E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne. Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou pra ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas que as mulheres precisam.

Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados uma ao outro, enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.

As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d ' água. As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem.

Da difícil arte de desconstruir o corpo...

"Como queria ter podido fazer este trabalho antes em minha vida".
Foi o que ficou em minha cabeça ontem após nosso primeiro dia de trabalho com Fábio Vidal.

Eu que já era admirador do trabalho dele como ator, fiquei super feliz em tê-lo conosco trabalhando e mais feliz ainda pelo foco do trabalho que ele está desenvolvendo. Mais do que a tarefa de construir partituras, estruturas que podem ou não ser aproveitadas no processo mesmo de montagem, a grande labor está em desconstruir nossos corpos, que adquiriram um conforto nesses seis anos de atividades d'A Outra Companhia.

Criamos personagens solidificados e que se repetem no nosso processo criativo, cacuetes, manhas, muletas que estávamos acostumados a nos amparar, e Fábio, chegou como um furacão (não pensem com isso que ele é agressivo, muito pelo contrário) abalando nossas estruturas e nos apresentando possibilidades, e "destreinando" nossos corpos para instituir uma disciplina. E nesse aspecto, vale ressaltar a paciência e o bom humor dele ao fazer isso. É mesmo um trabalho mais do que de artesão, mas de oleiro. Com muito cuidado ele vai remodelando nossos corpos e, consequentemente, nos remodelando como atores. Esse trabalho tem nos proporcionado um ferramenta valiosa.

Estou muito feliz com esse trabalho e muito confiante na equipe. A cada dia vejo que faremos um lindo espetáculo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A delícia de ter Fabinho nesse Mar...

Desde o iníco, quando ainda pensava em propor a Outra a montagem do Mar me quer, que eu queria ter fabinho perto de mim, trabalhando conosco. A prieira leitura da obra de Mia me trazia muitas imagens e isso e lembrava o trabalho de pesquisa desenvolvido por ele em seus processos criativos e/ou de formação artísticas e criação de personagens. O trabalho com a poética de mia teria que ser com fabinho junto a mim, eu queria esse grande artesão da cena. E asism foi e assim começa a ser.
Hoje começam os encontros com Fabio Vidal, grande mestre do teatro físico, senhor do despertar da dilatação energértica, gerador de formas e estruturas corporais, despertador de estatuárias e pontos de desequilíbrios...
E assim foi o primeiro encontro com nosso preparador corporal, cheio de estatuárias, movimentos ondulatórios, pontos e trajetórias, dinamoritmos, isolamentos e globalidades corporais, ativação do centro do corpo, despertar de foco, percentuais de energia instalados, ações cotidianas concatenadas a frases, sons e palavras do texto, respirações, qualidades corporais e aproveitamento de acasos e estímulos instaurados (som externo, mal estar do corpo, elementos da sala), e deveres de casa! É com olho que vê e ouvido que ouve que vamos rumo ao próximo encontro... cheios de borbulhações de cabeça, como quem entra no mar e libera o oxigênio ainda dentro d'água!

Oficinas Mar Me Quer

Saiuuuuuu, saiuuuuuuuuuu.... a lista de selecionados para as Oficinas Mar Me Quer de Cenografia e Caracterização com Lorena Peixoto e Luiz Santana.

Lembrando que as aulas acontecem no período de 22 a 26 de março, das 09h as 12h (Cenografia) e 13h as 16h (Caracterização), sempre no Teatro Vila Velha.

Agradecemos mais uma vez pelo interesse e carinho com A Outra Companhia!!!

SELECIONADOS

CENOGRAFIA:

1. Andeli Santiago dos Santos
2. Atila Silva de Jesus
3. Anthony Richard Zarpellão
4. Aitala Oliveira
5. Aline Texeira Amado
6. Camila Rocha de Souza
7. Cleber Santos Couros
8. Diana Barbosa
9. Edlene Crispina da Silva Lima
10. Elaine de Souza Silva
11. Gizella Cabral Gigliotti
12. Jean Carlos Ramos de Lima
13. Leovigildo Sacramento Reis Filho
14. Larissa de Sousa Carvalho
15. Luara Dal Chiavon
16. Marcus Vinicius Almeida Santos de Souza
17. Marina Sena Dias
18. Maurício Dominguez
19. Renata Nascimento Souza
20. Suelika Carvalho dos Santos Batista
21. Talita Cerqueira

CARACTERIZAÇÃO:

1. Ana carolina Ferreira Alves
2. Andréia Fábia Santos
3. Alessandra Adorno
4. Andréa Ferreira Sampaio Mota Santos
5. Catarina Rosa Campos
6. Celina Maria Franca
7. Cláudia Cecília Oliveira Duarte
8. Cássio Vinícius da Silva
9. Catarina Rosa Campos
10. Diego Alcântara dos Santos
11. Emerson Santos Nunes
12. João Damaceno Macedo Pereira Jr.
13. Larissa Santos de Andrade
14. Luísa Soares Teles
15. Ricardo Albuquerque Silva e Silva
16. Rita de Cássia Oliveira Rizério
17. Roberta Santos Nascimento
18. Simone Braz Batista
19. Sandra Consuêlo Freitas dos Santos
20. Tiana Pinheiro
21. Vinicius Oliveira

Parabéns a todos!!!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Na correria, mas o trabalho continua!

Após a instalação do Biblioteca Central, temos postado menos. Isso se deve a correria em que todos d'A Outra estamos.

Esta semana reestreamos "Moringa" e no final de semana faremos "A Sacanagem d'A Outra" no TVV, às 20 horas, de sexta a domingo. Mas, apesar de estarmos realizando outras atividades, continuamos trabalhando no Mar me quer. Na última semana nos debruçamos sobre o texto, buscamos entendimento nas coisas e nos afogamos. Nos afogamos de verdade nesse mar que Mia Couto teceu como quem tece uma rede. Nós, atores, vivemos momentos de diversão, de emoção e também de tensão ao nos perdermos na trilha do texto, ao não entendermos uma série de coisas, e pacientemente, Luiz, como quem rema contra a maré, mas que tem certeza de que vai chegar na outra margem, ia esclarecendo as coisas, apresentando opções e alternativas de entendimento.

Está sendo um trabalho de artesão, mas chegaremos!
Postado por R. Junior

quarta-feira, 3 de março de 2010

Descrição dos personagens

Senhoras e senhores, nas postagens abaixo vocês podem ver a descrição (atual) dos personagens da peça Mar Me Quer. Três deles constam na peça de Mia Couto: Zeca Perpétuo, Luarmina e Avô Celestiano. A personagem Dor D'Alma também faz parte da peça, mas é apenas citada e não tem esse nome. O batismo, tanto dela quanto de Mariavilhosa, vem de nomes que Mia utiliza em outras peças. Mariavilhosa é criação d'A Outra mesmo.

Zeca Perpétuo (R. Junior)

Por volta de 30 anos. Negro. Preguiçoso, malandro, conversador, mentiroso... Zeca é tudo, menos um exemplo de herói. Sua mãe morreu quando ele tinha oito anos e seu pai nunca lhe foi próximo. Estudou um tempo com um padre português, mas seus grandes aprendizados foram com seu Avô Celestiano, a quem coube o papel de amigo, conselheiro e pai. É do avô já morto que recebe seus sonhos. Importante ressaltar que, na peça, o sonho é visto como um mecanismo para atrasar o tempo, e a dança, como uma fuga do tempo. Como é Zeca que vive a sonhar e o mesmo é que chama Luarmina à dança, é clara a fuga desse personagem do tempo. Zeca Perpétuo é ciente da falta de perspectiva de futuro no lugar onde vive, por isso seu jeito preguiçoso, de encarar a vida e o trabalho, pode ser visto como reflexo das suas tentativas em atrasar/enganar o tempo. O que, de início, era uma simples gaiatice com sua vizinha, Luarmina, vai transformando-se, aos poucos, numa grande paixão para o malandro ferido por um amor: foi casado com uma bela mulher que o enganava e, ao descobrir, a empurrou em um abismo. Desse mesmo episódio, que lhe gerou um trauma, vem seu medo de gaivotas e, é também por conta desse fato, que evita contar histórias suas a Luarmina. Segundo seu avô, é indeciso porque “está cheio de muitos dentro dele”.

Luarmina (Eddy Veríssimo)

Provavelmente, tem por volta de 50 anos, mulata. Pai era imigrante grego, pescador que “sabia do arrumo das redes”. A mãe parecia guardar algum ressentimento da filha, a ponto de Luarmina não guarda-lhe uma só lembrança. Perdeu a ambos muito cedo e acabou chegando a terra de Mar Me Quer, sendo posteriormente entregue a Missão, onde foi educada dentro dos princípios da religião católica, para ser freira, e também por isso guarda um certo recato. Jovem muito bela, ao sair da Missão arrebatou o coração de Agualberto Salvo-Erro, pai de Zeca. Ele, homem casado, acabou conquistando o coração de Luarmina, a qual levava todas as noites para o mar. Sofrendo por fazer aquele homem desviar-se da sua casa, da sua esposa, Luarmina fugiu do lugarejo, causando todo o mal entendido que causou a cegueira de Agualberto. Agora, ela aparece na história com pouco que lembre a beleza que conquistara o pai de Zeca. Amargurada por nunca ter tido um filho, acima do peso, suas pernas incham... Do passado, guarda apenas a mania de cantar pela praia. Do futuro, nada espera. Comunica-se também com o avô, como é revelado ao final da história. Resiste às investidas de Zeca e revela seu amor por via da preocupação que tem com ele. Busca ouvir uma “história verdadeira” desse mentiroso incorrigível, pois nutre-se das histórias de família dos outros para aplacar o sofrimento de nunca ter procriado.

Avô Celestiano (Luiz Buranga)

A idade não é precisada mas é, com certeza, o mais velho dos três. Espírito a espera da partida, “vive” num paradoxo: ao mesmo tempo que tenta proteger seu neto, tem que cumprir a ordem dos espíritos de o levar com ele “para o outro lado do mundo”. É Celestiano que controla os sonhos do neto. É também, por sua posição mística e por ser o mais experiente, a voz da sabedoria na peça. Adora uma bebida e, apesar de ver ingratidão em seu neto, que não presta-lhe as homenagens que deve, é sempre compreensivo com ele. Dá conselhos a Zeca, que quase nunca são seguidos, e é também o responsável por passar ao neto diversos conhecimentos sobre a vida, inclusive aqueles sobre o tempo. Ratificando essa influência exercida sobre Zeca, existe um trecho exemplar da canção composta por João Afonso Lima, com título homônimo ao da peça de Mia Couto (já que baseia-se nela): “Mar me quer, bem me quer/ com olhos de tubarão/ meu avô falava certo/ quem demora tem razão”. Provavelmente, inventou a história do passarinho tsirri-tsirri, modificando o nome das gaivotas, para proteger seu neto. Também nutre imenso carinho por Luarmina, a quem acredita estar destinada a função de salvar seu neto.

Dor D'Alma (Manu Santiago)

Casada com Zeca no passado, morreu ainda jovem empurrada em um abismo pelo marido. No texto, Zeca descreve-a como “uma moça muito cheia de corpo, mas bem esquivada da cabeça”. Todos os domingos, saía com um vestido preto e dizia ir à missa. Zeca acreditava ter ali uma mulher exemplar, mas os comentários do povo o fizeram abrir os olhos e enganá-la, inventando ser domingo um outro dia qualquer. Nesse dia fatal para Dor D'Alma, foi seguida pelo marido que descobriu sua mania secreta: dançar nua – e apenas dançar, ao que tudo indica – nas dunas a frente de quem quisesse ver.

Mariavilhosa Pistola (Indaiá Oliveira)

Dona de um restaurante na região, adora a cor vermelha, tem uma queda por Zeca e é casada com... PISTOOOLAAA! A sua relação com esse marido é a dose de humor que A Outra traz ao texto de Mia Couto, sem dúvida. É a mulher mandona que sofre com o marido que ela mesma faz questão de informar a todos que é lento. Mas, já que ainda é uma personagem em fase de criação, pode também prestar “outros serviços” à comunidade masculina do local.

terça-feira, 2 de março de 2010

A Dança

Confesso: não comentei sobre a intervenção no Solar Boa Vista porque a única coisa da qual gostei foi poder voltar a pé pra casa (e talvez esse comentário seja duro demais). Mas faço questão de falar sobre a intervenção na Biblioteca Pública no último domingo. Fechamos com chave de ouro. Adorei a alegria exposta no Palacete das Artes, mas a Biblioteca foi...
Conquistadores esses atores e atrizes. Era visível, ainda que em alguns mais do que em outros, que havia uma amarração do ambiente de seus respectivos personagens, até mesmo nos que nem constam na trama de Mia Couto, como a Mariavilhosa de Indaiá. E agora, enquanto ouço o jazz ritmado de Diana Krall e meu corpo dança na cadeira, associo essa dança ao que foi visto na Biblioteca. Desde Indaiá até Eddy, a coisa fluiu como uma dança e eu via aquelas pessoas como parte de um lugarejo fantástico como a Macondo de Gabriel García Marquez. Agora é preparar-se para uma nova etapa. Sempre na dança, seja ela qual for, contanto que seja contagiante.

***

P.S. ou Coincidência do escrito: A música que estava ouvindo interpretada pela Diana Krall, chama-se "Devil may care". Quem puder, olha a tradução. Tem algo a ver com a peça de Mia Couto?
http://letras.terra.com.br/diana-krall/95798/traducao.html

No Ádrio Da Biblioteca

Muitos liam palavras,outros ouviam palavras que se juntavam para formar uma história, de quem? De que? Ah entendi. Você é um mediador disse -me um senhor de pálpedras pesadas e olheiras escuras. Aquele domingo à tarde, a lezeira depois do almoço pesado. E assim foi a última performance na biblioteca central dos barris. Depois de várias chegou ao fim hoje. Passamos pelo passeio público, no mam, no palacete das artes, no trem, e no solar boa vista. O tempo foi curto porque tinha um horário para fechar. Cada um fez seu solo. Foi maneiro. Eu fiz um velho, o avô . Um homem veio até a mim e mim perguntou se eu era um intermediador? Eu disse que tentava buscar os dois lado. Ele me disse que eu tinha que ter muito cuidado, nao me doar, pra eu ficar sempre consciente. Porque o que eu tava fazendo era muito perigoso que abria. Me perguntou se eu assisti Poltergeist? Troquei de roupa ,e não vi o velho mais Isso foi na tarde de domingo do dia 28 de fevereiro de 2010. Buranga.

segunda-feira, 1 de março de 2010

No Solar Da Boa Vista

Nome bonito para um lugar tão mal cuidado. Cadê o povo? Ah tem gente. A casa do poeta estava logo ali ao lado,magestosa,toda imponente dizendo quer aqui viveu um homem de palavras livre.Na frente do teatro pessoas passavam para ver o que era aquilo,oque acontecia.No ritimo das cirandas as performances se desenvolviam para os olhares mais discretos. Foi muito bom quando o diretor fazia sinal para os atores finalizarem as cenas, e eu claro fingindo que não via nada para dar prosseguimento a cena que tava tão boa só eu e Eddy. Terça feira verão quente de Salvador do dia 23/02/2010 Buranga

...e no "fim da linha" encontrei um mapa...

Ontem realizamos na Biblioteca Central nossa última instalação dessa primeira etapa do processo de montagem de Mar Me Quer.


De forma surpreendente, não tive a sensação de linha de chegada, nem de dever cumprido, mais do que nas outras instalações, mesmo nas que não sabíamos de fato o que iríamos fazer, senti muitas dúvidas. Dúvidas sobre o personagem, sobre o caminho a seguir para encontrá-lo, sobre as escolhas para a composição da partitura ao longo da semana. E ontem, pouco antes da hora de apresentar era isso que me saltava na cabeça, era isso que meu corpo sentia, dúvidas. Até que resolvi seguir um caminho: não lutar contra as dúvidas, senti-las e deixar o corpo e a mente se salvarem. Terminei sabendo que elas não vão embora tão cedo. Tento entende-las como necessárias.

Um dia um amigo me disse que quando não se sabe por qual caminho seguir, qualquer um serve.
Sei que qualquer um não me serve, mas acho que essa sensação causada pelas indagações me levaram a um mapa que ainda não sei decifrar, nem de que tesouro é, mas sei que a viagem que farei em busca dele já vai valer.

Vamos juntos, tripulação a bordo!

  ©Template by Dicas Blogger.

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