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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Mais um dia!

Estamos a pouco menos de um mês da estréia e continuamos mergulhados nesse mar. A cada conversa, cada encontro que tenho com os outros atores, com o diretor, como os assistentes, comigo mesmo: lá está ele, o mesmo assunto, os mesmo pensamentos em minha cabeça: Mar me quer.
Acredito que esse seja, de fato, o nosso processo mais reflexivo. Talvez pelo nosso momento enquanto grupo, pela nossa vontade de mudar ou não, por que acredito que uma série de elementos que usamos em montagens anteriores são importantes, como: o cenário que se move e se transforma a todo o tempo, a músicalidade extraída de objetos não convencionais, a dramaturgia não-linear, etc.
A cada dia de ensaio sinto como se repensassemos o processo, o espetáculo, as escolhas. Por outro lado sinto também que as coisas se encaminham para definições. Sinto minha confiança na indicações de Lu, Isra, Hayaldo se dilatando, se ampliando. Isso me dá a tranquilidade de fazer cada vez mais o exercício de me colocar dentro de cena, cada vez menos fora.
Há muito que se fazer! Vamos para mais um dia de ensaio!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Depois de Natal, em pleno mês de junho

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ensaios retratados por Lorena







quarta-feira, 16 de junho de 2010

Encontros

Durante uma semana tivemos o prazer de receber A Outra Cia. de Teatro aqui no nosso espaço, o Barracão Clowns. Aliás, nos nossos espaços, porque os coitados pegaram exatamente a transição do Barracão antigo para o novo, então ficaram improvisadamente alojados no Barracão novo, e trabalharam no antigo, no que restou do seu tablado... Apesar das condições que não fazem jus à forma como somos recebidos por eles quando vamos à Salvador (à exceção da primeira pousada que fiquei, ainda no Troca-troca com a Outra, né? Rsrs...), fizemos de coração da melhor forma como pudemos, em meio à loucura que tá a nossa vida nesse mês de junho...


Foi muito especial receber esse grupo com quem temos construído uma parceria contínua já há três anos. Do Troca-troca, passando pelo Conexão Shakespeare-Nordeste, e agora o mergulho partilhado no Mar me Quer. Desta vez, não só fomos ao Vila, como eles vieram pra cá também, finalmente conhecendo a nossa cidade, nosso espaço, nosso dia-a-dia.

Bem, deixando as questões logísticas de lado, o projeto Mar me Quer me atraiu por diversos motivos. Além da continuidade da parceria (estendida a outros dois queridos, o Fabinho Vidal e a Diana Ramos, do Oco Teatro), o texto original me encantou profundamente e, ao assistir o ensaio em Salvador, foi muito impactante a forma como as questões do processo d'A Outra dialogavam com o que vivemos nos Clowns também: saída recente de integrantes, restando uma formação muito mais enxuta; a busca por uma abordagem dramatúrgica menos usual, mais fragmentada; o mergulho no universo temático do mar, mesmo tema que nos permeou no Capitão e a Sereia; necessidade/busca de se reestruturar, repensar, reorganizar, reinventar o grupo.

Naquele momento, nos idos de abril (confere, meninos?), em Salvador, trabalhamos dois dias de forma muito intensa, e pudemos sair de lá com muitas questões, apontando possibilidades de caminhos a serem traçados, questões a serem abordadas, formas de trabalhar o espaço e a dramaturgia. Agora, recebemos os meninos com o trabalho já com seu esqueleto praticamente formado, já com cara de espetáculo. No primeiro ensaio, a paradoxal sensação de um material muito rico, mas ainda apresentando uma forma cansativa, arrastada. Durante a semana, no meio do aperto das nossas demandas locais, fomos - eu e o Marco - nos revezando no trabalho com os meninos e, quando a gente não podia, lá estavam eles bravamente e exaustivamente acordando cedo, mexendo, trabalhando as questões que levantávamos nos ensaios.

Passados cinco dias de trabalho, acho que conseguimos, mais uma vez, dar uma sacudida, peneirada, reorganizada no material que eles trouxeram. Lembro muito da minha relação com o Eduardo Moreira, do Galpão, querido mestre e parceiro de duas direções - Muito Barulho e O Casamento do Pequeno-burguês -, que costumava organizar as bagunças que encontrava no trabalho quando vinha a Natal, e propor outras bagunças a serem desenvolvidas e trabalhadas em seguida, após a sua partida. Sinto a mesma relação com o Luís, é inevitável fazer associações o tempo inteiro quando estou trabalhando com A Outra. O Lu é muito inquieto, ávido por buscar, inteligente, e muitíssimo rápido no raciocínio, na inventividade... Basta meia palavra e ele já tá lá na frente, com três propostas diferentes para resolver o problema! No dia seguinte, quando chego ao ensaio ele já experimentou, mexeu, propôs. Isso, associado com um elenco de quatro atores com uma disposição sem fim para ouvir, para mudar, sem pudores, sem apegos com o que está criado, prontos para responder rapidamente, torna-se esse grupo uma delícia pra trabalhar!

Agora, nesses pouco menos de dois meses que restam até a estreia, a ansiedade que fico é em saber se, em meio a toda a loucura que estamos vivendo aqui em Natal também, se ainda nos veremos antes do bebê nascer, ou se só vou conhecê-lo depois, já mais fortinho, de olhos abertos, sorrindo...

Meninos, continuem assim! Coragem! O trabalho tá muito bem encaminhado, o importante é vocês se apropriarem dele totalmente até o último fio de cabelo, que ele exprima o discurso de vocês, o pensamento de vocês, suas angústias e suas belezas, com toda a dignidade que vocês colocam na cena.

Merda!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em terras soteropolitanas...

De volta a Salvador com um mar de questionamentos e reflexões. Muito trabalho a ser feito... e o tempo? "É tão magrito que nem cabemos lá"...


Durante esta última semana de trabalho, lá em Natal, com os nossos parceiros e deuses dos Clowns de Shakespeare, parece que o mundo deu umas duas voltas seguidas de 360... incrível o rendimento do trabalho e o avanço na estruturação/definição/corporificação da montagem.

Agora, pós jogo do Brasil, retomamos nossas atividades, com muito mais coragem. Estamos a pouco mais de um mês da nossa estréia e a sensação é: muita coisa a fazer, mas com tempo hábil, sem cordas no pescoço. A composição sonora do espetáculo está quase finalizada, a dramaturgia está sendo constantemente revisada e aprimorada, o jogo entre os atores está cada vez mais vivo, a composição estética do cenário e figurino está encaminhado, os desenhos e marcas das cenas estão definidos (até onde temos esboçado). Ou seja, o foco agora é limpar, é valorizar e significar os signos - como disse Fernando: "temos as peças do jogo, agora é definir as regras".

Vamo simbora, sem esmorecer!

Luiz Antônio Jr.

sábado, 12 de junho de 2010

Uma timbragem para os personagens

Ontem, a noite, Fernando trouxe uma dinâmica de jogo para timbrar os personagens, como ele mesmo disse...


Andando pelo espaço, os atores traziam os personagens da peça, um a um, pensando: no modo de caminhar, centro gravitacional, a transferência de peso, o olhar, o andamento do deslocamento, a respiração, o impulso, o estado, a pulsação, as tensões... aos poucos, ações cotidianas são executadas livremente: acenar, lançar, empurrar, agachar, apontar, segurar, correr... depois de passar pelos três personagens, a fala ganhou espaço associando-se as ações e deslocamentos, trazendo fragmentos do próprio texto para o jogo, neste caso atentando para o tom, a métrica, a marcação, as pausas, os subtextos... Experimenta só o corpo, depois só a fala, com ou sem deslocamentos...

Daí, um de cada vez, mostra aos outros sua construção de Zeca (por exemplo), para que no momento seguinte, todos possam reproduzir: corpo, estado, deslocamento, jeito de falar... de modo que as opções do outro possam ser incorporadas a sua criação, descobrindo outras possibilidades de interpretar o sujeito da cena, seja o homem, a mulher ou o velho. E mais do que isso, definindo as diferenças entre eles. Encontrando, ainda que assim, a timbragem entre as interpretações de cada ator para os mesmos personagens, afinal é um Avô que é interpretado pelos quatro atores, e assim com as outras figuras da obra.

Assim, observando e experimentando o que o outro faz com o mesmo personagem, o compartilhamento de idéias e formas de interpretar a mesma figura se dá quase que por osmose. Eu diria até que é inevitável não somar um detalhe do colega a sua atuação, seja uma intenção para a fala, um gingado no andar, um modo de olhar, um gesto... alguma coisa fica na memória.

Com esse jogo, uma janela se abre para uma unidade entre as interpretações dos personagens que não está na mímese. Não é o nosso foco fazer com que todos os atores tenham uma mesma estatuária e/ou tom de voz para cada personagem. Por exemplo, o Avô anda lento, fala mais grave e é mais denso; a Luarmina é delicada, com uma voz mais aguda e um deslocamento nem tão leve nem tão carregado; e o Zeca é mais leve, ligeiro... Até porque, desse modo, se atinge (acredito) um estado e composição óbvios, que não interessa. Embora encante o público, que poderia dizer: "uau! olha como eles fazem a mesma coisa, todos".

Além de que é impossível desconsiderar as diferenças físicas dos atores e os meios de composição de composição de personagem de cada um. O jogo é nosso foco. E é aí que entra a importância das peças (roupa, texto) e das regras (os estados, a pulsação, a respiração...).

Mais uma luz trazida pelos deuses (rsrs)...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Em Natal, o Mar continua nos querendo

Essa estadia em Natal tem sido de muito trabalho, mas também muito reveladora. Temos trabalhado muitas horas por dia... na verdade, praticamente o tempo inteiro, visto que a única vez que saímos foi para procurar coisas para o espetáculo, mas isso tem sido genial para o amadurecimento e crescimento do espetáculo.

Temos descoberto bastante coisa em todos os aspestos da peça: Marco está afinando as músicas e na musicalidade dos textos, Fernando e Luiz têm se debruçado na estrutura dramaturgica do espetáculo, Lore também tem quebrado a cabeça com o cenário, fazendo papel de nossa mãezona (por que várias vezes é ela que providencia água e lanche) e adiantando bastante coisa, e nós, atores, temos ensaiado oito, nove dez horas por dia. Mas tá tudo ótimo, o trabalho está valendo a pena.

Por vezes junta o cansaço e o processo natural de desconstrução e dá um nó na cabeça, mas tenho conseguido me manter calmo... rsrsrrs... afinal, alguém tem que ficar, né?! Enfim, meu povo, amanhã tem mais. Encerro este post por aqui, pois são três da manhã e a cabeça não pára, mas o cansaço me domina o corpo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Do Caderno do Diretor - Página II

Respondendo a pergunta que ficou no ar assim como o cheiro de maresia que invade o nariz e te leva ao mar...


A estrutura dramatúrgica fragmentada é fruto do processo, do modo como as coisas foram acontecendo e ganhando corpo, fala e forma. Em momento algum, eu defini qual seria a linha da encenação. A única certeza que tinha era: esse espetáculo tem que encantar e satisfazer a todos, em especial o elenco. Cada um deveria ter uma apropriação da obra assim como eu. Desse modo, teremos uma leitura comum, apresentando ao público uma idéia coesa e compartilhada - não será uma idéia do diretor executada pelos atores.

Lá atrás, quando ainda eram seis atores no elenco, eu até tinha um esboço mais ou menos definido... acreditava que o melhor seria ter os personagens da obra interpretados por três dos atores, e criar novas figuras para composição da encenação. No entanto, com a saída de Jeferson e Indaiá, as coisas foram se inclinando para uma outra estrutura, que eu também não sabia qual era. Só não teria outras figuras...

A partir do encontro com Fabinho, muitas idéias pipocaram... o próprio, me indicou a possibilidade de fazer uma espécie de Ensaio.MarMeQuer, numa analogia ao Ensaio.Hamlet da Cia dos Atores, o qual assistimos em Salvador há uns dois anos. Nessa proposição, os personagens seriam compartilhados pelos atores, atentando muito mais a criação de signos e significados, do que em construções de personagens e cenas a partir de uma lógica "convencional", calcada no processo stanislavskiano, talvez!

Resisti, debati, questionei... meu receio era que esse compartilhamento de personagens fragilizasse tanto a encenação, que a deixasse com cara de mostra de resultado de Escola de Teatro. Foi quando Fernando, e o próprio Fabinho, me atentou que tudo dependeria do modo como a cena fosse edificada. Para completar, Fernando trouxe a idéia das páginas pretas e brancas - de um lado é contada a história sugerida na obra e de outro as leituras nossas criadas a partir da mesma. Foi quando veio a luz de uma proposição para dramaturgia que mesclaria o espaço destinado ao Mar Me Quer (obra pura) e o Bem Me Quer (nossa versão).

Além disso, os companheiros "potiguares" nos apresentaram o Balai -jogo-base de toda a nossa montagem. Instrumentos. Objetos. Roupas. Coisas. Tudo espalhado num espaço delimitado por uma fita crepe e vamos ao jogo de improvisar as cenas utilizando tudo isso para composição de estruturas musicais e cênicas. Assim, pouco a pouco, a gente foi montando esse mosaico que hoje se revela múltiplo. O que acaba refletindo ainda o processo inicial de criação das performances e intervenções nos espaços urbanos de Salvador.

Luiz Antônio Jr.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Carta para um ator-doado

Antes de começar o ensaio, o ator passa seu texto, estuda seus deslocamentos, desenha seus movimentos, constrói o personagem... e de um dia para o outro, tudo muda. As marcas são desfeitas, os textos são alterados, as composições de personagens se dissolvem e precisam ser recriadas rapidamente... um dá uma opinião, outro faz uma sugestão diferentes, um terceiro acha uma outra coisa... ops, TRAVOU!


Vamos começar tudo de novo! Percebe que falta alguma coisa, que tem algo estranho? Então, calma! Respira e vamos em frente refazendo a construção da cena e da personagem... Sei que é uma situação difícil, você ter comandos diferentes sobre a mesma cena, ação ou o que quer que seja. Mas entende que todos buscam caminhos para fazê-lo entender a dinâmica da atuação. Todos estão atentos seu trabalho e querem melhorá-lo cada vez mais...

Lembra que o ator é aquele que atua, que dá vida ao personagem, que interpreta a verdade de pessoas in papel. Então, zera tudo e recomeça a criar. É inegável a sensação de ter o trabalho perdido, mas será que foi perdido mesmo? Prefiro acreditar que o trabalho chegou onde deveria, que nem um carro numa pista, para pegar o retorno e seguir, tem que avançar no sentido contrário ao que precisa. Nessa montagem que se pauta no compartilhamento entre atores, direção, cenários, textos, figurinos e tudo mais, zerar é sempre possível.

Nossa pesquisa tem sido constante e infinita. Cada dia descobrimos novas leituras, percebemos novos olhares, e isso muda tudo. E porque? Me pergunto: Será que quero agradar a todos? Qual a minha dose de SIM ao que os colaboradores trazem?

Resposta: Não é que queira agradar a todos, mas quero que minha idéia seja clara e chegue nas pessoas. Isso significa que as impressões me chamam atenção. E minha dose de sim é até onde não distorce a leitura que faço da obra e aquilo que quero dizer com ela.

As vezes, buscamos caminhos diferentes para chegar no mesmo lugar. Nesses últimos dias, tenho percebido o quanto de repetição em indicações é recorrente. Coisas que já disse retornam em outras bocas, existem percepções/observações que retornam de diversos modos... e isso é consciente em cada ator.. E mais do que isso, é externalizado! Não esqueço da reunião de ontem quando se colocou na roda que todo mundo sabe o que está sendo dito, mas na hora de fazer trava, não sai... E se isso está acontecendo, eu pergunto: PORQUE ator?

Minha tarefa é indicar caminhos e apontar leituras do que você propõe, executa, faz; organizando o mosaico da encenação já sabida, fragmentada. A responsabilidade do que vai a cena é do diretor, neste caso - Eu.

Nesse momento de definição e afinação de regras e signos, mergulha no mar e deixa que ele lhe revele seus mistérios. Mas não esqueça, tem gente que mergulha de olhos fechados e tem aqueles que vão de olhos abertos e atentos...

Luiz Antônio Jr.

Do Caderno do Diretor - Página I

Em Natal, muito calor!

Desde que cheguei aqui nessa cidade o sol é eterno e o calor intenso!
Muito trabalho sendo feito, muitas idéias pipocando, muitos olhares e transformações sempre.

Antes de chegar a Natal, durante a semana em que estive longe da sala de ensaio, do elenco e da obra in process, me dei conta do lugar onde o processo está a partir da linha cronológica das nossas atividades que iniciaram em dezembro de 2009. Até aqui, desenhamos a nossa leitura do Mar Me Quer, a partir da obra do Mia Couto. Até março, não sabíamos como seria a montagem, sabíamos o que encenaríamos, mas o como?... não sabia!


E eu, diretor, me deixei levar pelo dia-a-dia do processo para construir esse edifício que hoje temos. Mas ainda tem muito o que fazer, tem que colocar portas e janelas, fazer instalações elétricas e hidráulicas, rebocar, passar a massa, lixar, pintar e decorar. Fizemos uma parte do trabalho, e agora é a hora de limpar, definir, colorir, partiturizar... e isso pode e certamente gerará muitas mudanças, sejam na divisão dos personagens, no deslocamento dos atores, nas vias de interpretação...

Sabemos que temos um produto bom, mas que precisa ser muito melhorado, para ser possível de compartilhamento verdadeiro com o público. Os amigos que até então assistiram aos nosso ensaios, gostam do que vêem... mas porque? - me pergunto. E me respondo no ato: porque é diferente de tudo o que A Outra já fez, porque em cena o elenco se respeita e comunga de uma encenação que exige cumplicidade, jogo e atenção máximas. Mantemos a proposição de um cenário móvel, de uma dramaturgia que tem a mão d'A Outra em sua re-criação, mas tem um salto que todo mundo reconhece e que é difícil de ser identificado... Mas por outro lado, é nítido que as pessoas sentem um cansaço em determinado ponto da peça... onde? porque? É aí que está nosso trabalho. É aqui que ganha força o trabalho feito por Diana de estabelecer gráficos que refletem a dinâmica das cenas, pensando numa dinâmica geral da obra geral.

E não tenho dúvida que é de extrema importância que os atores estejam conectados: uns com os outros, com o espaço, com a obra, com os objetos, com o figurino, com o cenário, com as músicas... É imprescindível, que o elenco tenha uma propriedade do que é executado em cena. E isso significa: saber o existe, os trânsitos, a sequência das cenas; e mais do que isso, significa ter viva em sua consciência uma série de perguntas básicas:
  • O que?
  • Quem?
  • Onde?
  • Como?
  • Por que?
  • Pra quê?
  • Para quem?
E isso dará a cada signo estabelecido na encenação um significado que justificará sua existência. Daí, é valiosa a observação do Fernando Yamamoto após o ensaio na noite de segunda-feira: "existem as peças do jogo, precisam ser criadas as regras" (foi mais ou menos isso). Temos nossos signos e códigos definidos - O que? / Quem? / Onde? / Para quem? já temos e sabemos, mas e o Por que? / Pra quê? - essas duas perguntas apontarão novos entendimentos e certamente outros estados, relações, jogos, atmosferas, interpretações... ou seja: outras verdades!

Me dei conta, ainda, que temos uma estrutura fragmentada de encenação, que difere um tanto da obra literária do Mia Couto. O Mar Me Quer - tanto o conto quanto a peça - sugerem uma leitura linear, envolvente e rica em imagens. Me distanciando do trabalho, avaliando-o e até mesmo teorizando-o, percebo que a encenação é uma grande colcha de retalhos, cheia de fragmentos e imagens - assim como muitos trabalhos d'A Outra e entendo/aceito/identifico como uma linguagem do grupo. São cenas que acontecem simultaneamente, leituras múltiplas e uma estrutura que se baseia no jogo entre os atores e o que existe no espaço. Daí, me questiono (e Manu ainda ontem de madrugada me indagou): porque essa estrutura fragmentada para um texto que se propõe linear? Foi proposital, pensado, uma escolha? Foi por conta do elenco? É reflexo do processo?


Respondo mais tarde... agora tenho que ensaiar! O elenco já está desde cedo trabalhando - é preciso um espaço de tempo para que eles desenvolvam suas tarefas de casa, se apropriem das indicações, registrem as alterações que são cada vez mais intensas e em curto tempo, com necessidade de respostas rápidas para que o trabalho avance...

Luiz Antônio Jr.

sábado, 5 de junho de 2010

Mar Antigo





























A Ciranda

"Mar me quer, levar para os braços do meu bem me quer.
Mar me quer, levar para os braços do meu bem me quer.
Mar me quer, bem me quer, mar me quer, bem me quer, mar me quer, bem me quer!
Bem me quer, mar me quer, bem me quer, mar me quer, bem me quer, mar me quer!
A lua se espraiou sob as águas da sereia.
E aquele pescador ficou sentado ali na areia.
Sonhando com a mulher, com a mulher que ele quer.
Mar me quer, bem me quer!"

Diana Ramos

Mar me quer em Natal


Depois de uma semana de ensaios exaustivos, chegou a hora de mostrar o que foi construído em solo potiguá. Com a orientação de Diana Ramos, os atores deram uma nova qualidade as cenas e criaram uma nova ciranda (vejam a letra na postagem acima). Agora, a galera do Clows está a espera para ver o produto final deste belíssimo trabalho.

Boa Sorte meninos!!!




Diana com os atores no último dia de ensaio!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lembranças

Quando meu velho foi embora de casa, ela sempre dizia que meu pai escrevia cartas. A única coisa que ela me mostrou foi o céu.
Era uma noite escura, ela apontou as estrelinhas tantas lá e disse: sabe filho, a noite é como uma carta que Deus escreve em letras miudinhas.

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