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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quando não se sente...

Era um dia normal! Quer dizer, não tão normal assim, afinal, no nosso ensaio de segunda-feira conversamos muito sobre as performances de sábado no MAM e bolamos ideias para a próxima instalação que ocorrerá no próximo sábado no Palacete das Artes. Conversamos muito sobre sensações, indiretamente sobre o que provocamos nas pessoas no sábado passado e o que devemos provocar na próxima mostra do trabalho. Até que, definidos os temas que cada um vai enfocar na sua instalação, Lui disse: "ainda temos mais uma hora de trabalho, podemos fazer muita coisa".

Confesso que cheguei a duvidar do poder e da extensão desta "uma hora", no entanto, os próximos 60 minutos me revelaram que de fato, em uma hora podemos fazer muito (e o que é mais incrível, fazendo tão pouco).

Ao dividir os grupo em duplas, ele propôs uma dinâmica sensorial, na qual devíamos nos concentrar em nós mesmos, ouvir nosso coração, sentir nosso sangue circulando nas veias, etc. O que se seguiu daí pra frente foi revelador.

É incrível como na correria do trabalho e mesmo ensaiando, quando partimos do pré-suposto que o ator trabalha com o corpo, o quanto estamos distante, desconctados do nosso corpo. Ouvir o som do coração, da respiração, sentir a pulsação do sangue correndo, é muito louco. Então, Lui sugeriu que escolhessemos um orgão e deixasse que ele tomasse todo o corpo, toda a sala, todo o TVV. A sensação foi estranha! Pois, a partir daí, perdi completamente o controle do corpo, me senti um estranho dentro de mim, definitivamente, perdi o controle. Tinha, no máximo, controle suficiente para me manter de pé, para apoiar um pouco de peso na ponta dos pés para não cair. Uma sensação de impotência, de desequilíbrio, de instabilidade, e o que é mais louco, a medida que ouvia o comando deixar o corpo crescer, senti meus braços se elevarem sozinhos, por Deus, como não ordenei aquilo. Não sentia peso nem tensão no meu movimento, não sei exatamente quanto tempo fiquei com os braços elevados, só sei que não senti cansaço, nem dor.

Outra coisa marcante foi a sensação de expelir gás, senti como se meu corpo inteiro digerisse algo, pensei que fosse vomitar, mas por outro lado, a cada mínimo vento eu senti gelar meu corpo inteiro, como se fosse de borracha, silicone, algum material que me deixasse todo por um.

Demorei um pouco para me recompor, após terminado o exercício, mas me senti bem. Ao abrir os olhos, no final, estava mais leve. Acho que quando não se sente nada, se senti tudo!

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