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quarta-feira, 3 de março de 2010

Zeca Perpétuo (R. Junior)

Por volta de 30 anos. Negro. Preguiçoso, malandro, conversador, mentiroso... Zeca é tudo, menos um exemplo de herói. Sua mãe morreu quando ele tinha oito anos e seu pai nunca lhe foi próximo. Estudou um tempo com um padre português, mas seus grandes aprendizados foram com seu Avô Celestiano, a quem coube o papel de amigo, conselheiro e pai. É do avô já morto que recebe seus sonhos. Importante ressaltar que, na peça, o sonho é visto como um mecanismo para atrasar o tempo, e a dança, como uma fuga do tempo. Como é Zeca que vive a sonhar e o mesmo é que chama Luarmina à dança, é clara a fuga desse personagem do tempo. Zeca Perpétuo é ciente da falta de perspectiva de futuro no lugar onde vive, por isso seu jeito preguiçoso, de encarar a vida e o trabalho, pode ser visto como reflexo das suas tentativas em atrasar/enganar o tempo. O que, de início, era uma simples gaiatice com sua vizinha, Luarmina, vai transformando-se, aos poucos, numa grande paixão para o malandro ferido por um amor: foi casado com uma bela mulher que o enganava e, ao descobrir, a empurrou em um abismo. Desse mesmo episódio, que lhe gerou um trauma, vem seu medo de gaivotas e, é também por conta desse fato, que evita contar histórias suas a Luarmina. Segundo seu avô, é indeciso porque “está cheio de muitos dentro dele”.

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