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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

das folhas do caderno do diretor

pois é... há muito que não escrevo aqui no nosso diário virtual de registro do processo.

e hoje, peço licença para escrever no fluxo das palavras, não estando tão atento aos sinais de pontuação, confesso... é que quero expor o modo de trabalho que tenho usado com os atores, muito assim, tecendo as cenas a partir do que cada um tem trazido, sugerindo coisas que estimulem-os a criar sua cena, seus textos, suas partituras. tudo tem sido muito a partir do que o ator tem trazido para a sala de ensaio, em especial nesta etapa de processo que terá sua resultante exposta no MAM, amanhã, durante a JAM realizada pelo músico Ivan Huol.
na semana passada, trabalhamos muito focados na criação de dramaturgia coletiva, trazendo as células criadas em improvisações numa espécie de colcha de retalhos alinhavadas com fragmentos da obra de Mia Couto e músicas populares. investi nesse caminho porque acreditei que as pessoas que viriam até o passeio Público esperariam algum tipo de cena, alguma coisa que tivesse um início e um fim... e daí, investi na criação de uma mostra de cenas articuladas de modo a sugerir um mínimo entendimento do processo. nesta ocasião nosso foco estava nas histórias sugeridas pelo texto, nas relações entre os personagens da obra, na construção de um passado para estes "seres", na edificação de uma atmosfera dramática (trazendo até mesmo personas não sugeridas no Mar de Mia).
engraçado que começamos algumas vezes o processo. primeiro a gente improvisou sobre o tema, usando cada um banco como elemento de cena. depois criamos uma sequência de movimentos, quase coreográfica) que até então serviria para iniciar a "encenação" na sexta. e então seguimos inserindo as histórias geradas nas improvisações do dia anterior, foi quando Diana chegou e trouxe a ciranda de Lia de Itamaracá, linda! daí, ela trabalhou elementos da ciranda com o elenco e as coisas foram sendo levadas para outro caminho, a ponto de no nosso último encontro antes da intervenção no Passeio, as coisas se transformaram. até a ciranda chegar, eu traçara muito as marcas, os caminhos, de modo que percebi os atores engessando, ficando presos ao que eu dizia, pouco propondo e arriscando. com a chegada de Diana e a ciranda, tudo ganhou uma outra dimensão, a qual eu tenho um imenso desejo de investigar - que é a criação/encenação baseada nos princípios da exaustão, do ativar a energia criativa através da respiração, dos ventos, um pouco de "ritual", de maneira que o ator entra pela porta do universo criativo encontrando um estado de dilatação que o faz entregar-se ao criativo. assim foi na sala e assim foi na rampa do Passeio Público que dá acesso ao Teatro Vila Velha. ao final, atores e público se enredavam numa ciranda, tendo gente assistindo de tudo que é lugar, gente que passava viu a concentração de pessoas e viu tudo lá de cima da balaustrada, aqueles que vinham assistir ao espetáculo em cartaz no Teatro e que observava da fila para comprar o ingresso ou sentado nos bancos...
essa semana as coisas mudaram. ao invés de construir algo coletivo, preferi investir em acontecimentos isolados e individuais. muito por conta do modo como seremos inseridos no MAM, através da JAM. a JAM acontece há alguns anos no MAM, e no verão é o período onde existe mais público. lá tudo acontece no estacionamento que é quase como um cais, a céu aberto... lá tem todo tipo de gente, as pessoas que vão para curtir o som, que vão ver o por-do-sol belíssimo e ficam pra noite, os que vão paquerar, os turistas, os baianos, os vendedores, os jovens universitários ou pré-vestibulandos... enfim... muita coisa estará acontecendo amanhã, a partir das 18h no MAM. e nós estaremos inseridos nesse espaço. não acho que deveríamos propor uma parada do que lá já acontece para que as pessoas nos vejam, nos ouçam, nos observem. ao contrário, a idéia é que cada ator possa vivenciar um momento lá com aquelas pessoas, que muitos nunca viram... é ex por figuras naquele meio, é trazer para o corpo a Luarmina o Avô e o Zeca Perpétuo. e para isso, ao longo dessa semana cada um foi criando um leque de possibilidades, de cenas. sugeri alguns estímulos, a fim de que eles possam utilizar tudo o que lá houver a seu favor, a música improvisada como trilha sonora, as pessoas como seus pares e confidentes, o espaço como seu cenário, o tempo e o céu como seus recursos cênicos de luz... constituindo muito um espaço de performances.
assim acredito que a proposta é redefinida. antes de metermos a mão na massa, estudando o texto, decompomos ele em seis janelas temáticas: o mar, o tempo/memória, as histórias de pescador, a mulher, o onírico e a religiosidade. mas desde o final da semana passada, venho sentindo que uma outra configuração é desenhada. aproveitando a possibilidade de exposição cênica do processo em 06 espaços distintos (desde a estrutura física até o público que frequenta), optei por experimentar coisas diferentes, dialogando com o que cada lugar espera. Aqui no passeio fizemos o esquema de criar cenas - pois acreditei que as pessoas viriam ver alguma coisa rascunhada dramaturgicamente (talvez tenha me equivocado, mas foi a opção no momento), no MAM, acredito ser o lugar para testar o indivíduo, afinal são muitas as tribos lá circulando, é investir no sozinho no meio da multidão. já no palacete das artes inveredaremos na criação de estruturas cênicas e ligadas as artes plásticas, pensando muito na construção de IMAGENS, afinal é um museu e o público vai ver isso... e por aí vai...

l. a. jr.

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