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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Do Caderno do Diretor - Página II

Respondendo a pergunta que ficou no ar assim como o cheiro de maresia que invade o nariz e te leva ao mar...


A estrutura dramatúrgica fragmentada é fruto do processo, do modo como as coisas foram acontecendo e ganhando corpo, fala e forma. Em momento algum, eu defini qual seria a linha da encenação. A única certeza que tinha era: esse espetáculo tem que encantar e satisfazer a todos, em especial o elenco. Cada um deveria ter uma apropriação da obra assim como eu. Desse modo, teremos uma leitura comum, apresentando ao público uma idéia coesa e compartilhada - não será uma idéia do diretor executada pelos atores.

Lá atrás, quando ainda eram seis atores no elenco, eu até tinha um esboço mais ou menos definido... acreditava que o melhor seria ter os personagens da obra interpretados por três dos atores, e criar novas figuras para composição da encenação. No entanto, com a saída de Jeferson e Indaiá, as coisas foram se inclinando para uma outra estrutura, que eu também não sabia qual era. Só não teria outras figuras...

A partir do encontro com Fabinho, muitas idéias pipocaram... o próprio, me indicou a possibilidade de fazer uma espécie de Ensaio.MarMeQuer, numa analogia ao Ensaio.Hamlet da Cia dos Atores, o qual assistimos em Salvador há uns dois anos. Nessa proposição, os personagens seriam compartilhados pelos atores, atentando muito mais a criação de signos e significados, do que em construções de personagens e cenas a partir de uma lógica "convencional", calcada no processo stanislavskiano, talvez!

Resisti, debati, questionei... meu receio era que esse compartilhamento de personagens fragilizasse tanto a encenação, que a deixasse com cara de mostra de resultado de Escola de Teatro. Foi quando Fernando, e o próprio Fabinho, me atentou que tudo dependeria do modo como a cena fosse edificada. Para completar, Fernando trouxe a idéia das páginas pretas e brancas - de um lado é contada a história sugerida na obra e de outro as leituras nossas criadas a partir da mesma. Foi quando veio a luz de uma proposição para dramaturgia que mesclaria o espaço destinado ao Mar Me Quer (obra pura) e o Bem Me Quer (nossa versão).

Além disso, os companheiros "potiguares" nos apresentaram o Balai -jogo-base de toda a nossa montagem. Instrumentos. Objetos. Roupas. Coisas. Tudo espalhado num espaço delimitado por uma fita crepe e vamos ao jogo de improvisar as cenas utilizando tudo isso para composição de estruturas musicais e cênicas. Assim, pouco a pouco, a gente foi montando esse mosaico que hoje se revela múltiplo. O que acaba refletindo ainda o processo inicial de criação das performances e intervenções nos espaços urbanos de Salvador.

Luiz Antônio Jr.

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